Céu Nossa Senhora da Conceição, "Xamã Gideon dos Lakotas", Alcachofra

Alcachofra

Cynara scolymus L./Asteraceae (Compositae)

Cynara scolymus


Nome Popular: Alcachofra – hortense,
cachofra, alcachofra – comum, alcachofra – de – comer.

Família: Asteraceae


Essa planta é originária das regiões mediterrâneas e cultivada desde a antiguidade como alimento e produto dietético, nessa zona. Esse grande e belo cardo revelou recentemente propriedades terapêuticas que concernem ao fígado. Ele forma, de início, quando sai da semente, uma raiz e uma roseta de folhas. Depois ascendem do rizoma vivaz folhas grandes, longas, profundamente e muitas vezes divididas, que se curvam em forma de arcos, com extremidades espinhosas. No começo do verão, vemos amadurecer de seu bouquet uma haste floral relativamente curta, que contém grandes capítulos azuis ou violáceos. As pequenas flores tubulares têm um odor fino, mas forte, suave e seco. A base das folhas do invólucro, assim como o receptáculo, se tornam carnudos, inchados. A variedade próxima, denominada cardo, desenvolve e torna carnosas as nervuras das folhas.


Na raiz e na folha da alcachofra se encontra uma substância amarga (cinarina), com fracos princípios aromáticos, mucilagens, taninos, relativamente muita pró-vitamina A, um pouco de B1, uma enzima (cinarase) que coalha o leite: ela começa a digestão das proteínas do leite, mesmo na proporção 1:150.000, e é utilizada nos países meridionais, na fabricação de queijos. Além disso, graças às substâncias amargas e carboidratos, essa planta incita o Eu e o corpo Astral a intervir energicamente nos órgãos digestivos, principalmente no fígado; ela favorece a formação da bile e seu escoamento, mas igualrnente os processos construtivos do fígado; ela estimula a ação desintoxicante desse órgão; Cynara sp. abaixa a taxa de açúcar no sangue. A diurese também é aumentada.


Intensificando a digestão das proteínas, ela impede toda proteína estranha de penetrar no sangue, o que ocasionaria a albuminúria, podendo ser usada nessa afecção.


Em seu conto da serpente verde, Goethe conta que o barqueiro que carregava as pessoas de uma margem à outra do rio pedia, como pagamento, Cebolas, repolhos e alcachofras, ou seja, legumes colhidos sob a terra (cebola), rente à terra (repolho), e sobre a terra (alcachofra), todos provindos de um inchaço quase embrionário (brotos) do elemento “folha”, nas regiões da raiz, do caule, e da flor. Ele os denominou, nessa ocasião, de “frutos da terra”, são as forças vitais acumuladas (e não esbanjadas em desenvolvimentos exteriores) que fazem a “virtude” desses legumes. As da alcachofra vivificam a nutrição e os órgãos da nutrição.


Considerada durante
muito tempo como uma hortaliça rara, é hoje abundantemente cultivada nas regiões
Atlânticas com invernos suaves.
A
alcachofra não é só uma planta alimentícia indicada para os diabéticos, mas
também uma importante erva medicinal que recebeu dos médicos árabes medievais o
nome de al – Kharsaf. O nome genérico
Cynara  vem do latim canina, que se refere à semelhança  dos espinhos
que a envolvem com os dentes de um cachorro.

Aspectos Agronômicos:  Propaga-se bem em locais de clima ameno (5 a
30ºC). Essa propagação é feita por mudas ou sementes. Tem preferência por solos
sílico – argilosos, de acidez não muito elevada e bem drenados. Em geral
desenvolve-se melhor nas regiões serranas, em clima Temperado. Porém,
conseguem-se também resultados favoráveis se plantada em meia encosta ou
baixadas férteis. Aconselha-se o plantio depois de uma boa chuva. A colheita das
folhas dá-se após a colheita de receptáculos florais (100 a 140 dias após o
plantio), devendo ser secadas à sombra antes da comercialização ou do
uso.

Parte Utilizada: Folhas e
Fruto (culinária).


Indicações e Usos: Contém cinarina, uma substância amarga que estimula as secreções do fígado e da vesícula, e regulariza as funções desses dois importantes órgãos do aparelho digestivo. É conhecida a ação curativa da alcachofra na cirrose, icterícia, inflamações e cálculos na vesícula e insuficiência hepática. Tem ainda ação diurética (eliminando os excessos de água no organismo e favorecendo o funcionamento dos rins) e hipoglicemiante, ou seja, excelente alimento para os diabéticos. Rica em ferro, é preciosa no restabelecimento dos que sofrem de anemia, debilidade geral e raquitismo. É rica também em tanino, substância fundamental no combate às diarréias. Reduz a taxa de uréia e colesterol do sangue. Por ter alta concentração de vitaminas A e C, previne contra gripes.



*
Fitoterápico:

-Colagoga,
colerética, depurativa, diurética, laxativa, hipoglicemiante, reduz a taxa de
uréia, reduz o colesterol sangüíneo.
-É indicado: anemia, anúria, aterosclerose, cálculos da
bexiga, para favorecer a secreção da bile, bócio exoftálmico.
-clorese, colagogo, convalescença, doenças do coração,
debilidade geral, diabete melito, diarréia, dispepsia, diurese, escrofulose,
febre, doenças do fígado.
-gota,
hemofilia, hemorróidas, hidropisia, hipertensão arterial, hipertireoidismo,
ictéria, inflamação em geral, malária, nefrolitíase, obesidade, pneumonia,
doenças dos pulmões.
-raquitismo,
cálculos nos rins, doenças nos rins, sífilis, tosse, toxemia, uremia, uretrite,
doenças urinárias.

* Farmacologia:
 Supõe-se que a cinarina seja a principal
responsável pelas atividades colagoga e colerética da droga, provocando o
aumento da secreção biliar.
O amargo
(cinaropicrina) aumenta a secreção gástrica e sua acidez.
A cinarina (derivado da luteolina) abaixa a taxa de
colesterol de maneira significativa através de uma estimulação metabólica
enzimática. É utilizada para casos de hiperlipidemia e ateromatose interior dos
tecidos adipóides.
A alcachofra não
dissolve os cálculos biliares, mas diminui as cólicas, exercendo um efeito
preventivo nas pessoas predispostas a desenvolverem litiase. O incremento da
eficiência metabólica o fígado deve-se aos componentes polifenóicos que provocam
a diminuição plasmática do colesterol.
A cinarina possui propriedades antihepatotóxicas,
estimulando a função do fígado. Ação protetora e regeneradora dos hepatócitos é
provocada pelos flavonóides e glialcooliterpênicos que estimulam a síntese
enzimática básica do metabolismo hepático.
Na uremia, a cinarina melhora a excreção da amônia por
provocar um aumento da produção de ácido úrico pelo epitélio renal.

A ação diurética auxilia a eliminação de
uréia e de substâncias tóxicas decorrentes do metabolismo celular, desenvolvendo
sua ação depurativa.
A oxidase, enzima
hidrossolúvel é provavelmente a responsável pelas propriedades hipoglicemiantes
da alcachofra.

A alcachofra não deve ser consumida por mulheres que estejam amamentando, pois ela reduz a secreção de leite.



Uso Interno:

Extrato Hidroalcóolico: 0,5 a 1g / dia.

Infuso das Folhas: 10g / litro. Tomar 1
xícara após refeições.
Extrato Seco:
0,20 a 1g / dia.
Tintura: 5 a 25mL /
dia.
Decocto das Folhas: 30 a 40g /
litro. Deve ser consumido de imediato pois  com o tempo podem surgir
substâncias tóxicas.
Extrato Seco: 100
a 150mg / dose. Tomar 3 vezes ao dia após as principais refeições.

Para hiperlipidemia utilizar 1 a2g /
dia.