Céu Nossa Senhora da Conceição, "Xamã Gideon dos Lakotas", Cardos Medicinais

Cardos Medicinais

(resumo filosofico)

Carduus lanceolatum L. O tipo compostas assume um aspecto particular na sub-família dos cardos. Eles são geralmente plantas imponentes, que crescem sobretudo nas estepes pobres e secas da região mediterrânea e do Oriente próximo, na Rússia meridional e Ásia central. Poderíamos denominar esses vegetais como “Os cactos do leste”.

Na verdade, quando a América é representada através de seus cactos, a África através de suas Euforbiáceas e a Ásia através de seus cardos, algo das forças formadoras dessas zonas terrestres aparece. O inchaço aquoso do tipo cactus, que engole literalmente o caule e a folha numa bola caulinosa, e libera só as suas extremidades em forma de aguilhões espinhosos, é o tipo absolutamente oposto do cardo, onde o órgão da luz e do ar, a folha, se desenvolve de maneira predominante e se endurece exteriormente. O cactus se concentra e se petrifica no domínio dos éteres químicos e de vida; o cardo se endurece no domínio do éter e da luz.

Em todas as folhas, encontramos ritmicamente o líquido e o ar; o éter químico e o éter de luz interferem ritmicamente na folha. Uma folha normal é mais vivaz na base e menos na ponta; acontece uma ligeira desvitalização das bases para os bordos e as extremidades. A folha de cardo exagera nesse processo; a ponta e os bordos endurecem e, quanto mais as folhas, quase sempre muito grandes, são recortadas, mais elas são espinhosas. Pelo fato que, ao endurecimento da periferia se opõe um limite à sua dilatação e crescimento, a folha toma freqüentemente uma forma ondulada e convexa: cada folíolo, e mesmo as nervuras foliares, se tornam coriáceas, carnudas, enquanto que a substância permanece mole e viva no interior da folha. O fluído de vida vai secando na ponta, à medida que o cardo penetra na claridade aérea e seca.

Arctium minus Berhn. O cardo produz o elemento folha, mas essa planta escapa, de certa maneira, da atividade do elemento foliar, por um crescimento de seu caule até a região floral. Dessa maneira, o caule traz consigo forças foliares que dão ao caule suas “asas” (caules alados), se bem que esses caules são freqüentemente espinhosos. Mas a flor, que é um grande capítulo bem formado, abundante, é a meta principal de todo o processo. As folhas dos invólucros, freqüentemente espinhosas, fazem o capítulo do cardo parecer um pequeno cactus. O capítulo se encolhe em direção à sua ponta, e de seu colarinho surgem floretas tubulares, longas e finas. As flores, em lígulas, estão ausentes. A cor das flores é mais freqüentemente um rosa-violáceo de caráter puro, próprio, desprovido de qualquer paixão, um pouco como a turmalina no reino das pedras preciosas.

O odor é delicado, suave, seco, nobre. Observando um grande Onopordon florido, uma alma inocente teve uma sensação sutil desse vegetal e exclamou: “um penitente que se purifica!”. E essa exclamação encontra o seu lugar aqui, mesmo que o antropomorfismo seja sempre injustificado na observação da natureza. Segundo Goethe, a natureza fala a todos os nossos sentidos, sejam eles conhecidos, pouco conhecidos, ou mesmo desconhecidos.

Os aquênios dos cardos são capazes somente de vôos breves, a despeito de seus pelos sedosos, devido a seu porte e peso. A inulina, que é o carboidrato das compostas, é abundante nos cardos; além disso, eles contêm substâncias amargas aromáticas. Nós deveríamos procurar a sua ação terapêutica entre a organização metabólica e a organização rítmica; ela consiste em liberar e vivificar os ritmos freados, endurecidos. Marte, Júpiter, e o Sol estão particularmente ativos nos cardos, e o efeito do remédio será dirigido aos órgãos correspondentes. Os Cirsos tendem à umidade, os Onopordons à seca desértica; os cardos, propriamente ditos (Carduus), crescem de preferência nas estepes; o gênero Carlina se encontra nas altas montanhas; a alcachofra é uma variação que cresce em terras cultivadas.