Céu Nossa Senhora da Conceição, "Xamã Gideon dos Lakotas", Eucalipto

Eucalipto

Eucalyptus sp.

Eucalyptus globulus Mais de 500 espécies de árvores e arbustos aromáticos perenes pertencem ao gênero Eucalyptus que é nativo na Austrália. O eucalipto foi introduzido, com muito sucesso, na Europa, Argélia, Índia, México, E.U.A., América Central e do Sul. Os eucaliptos estão entre as plantas de mais rápido crescimento e as árvores mais altas do mundo. Os ramos crescem com rapidez e podem atingir mais de quatro metros em um ano. Existem espécies cujas árvores registram alturas superiores a 100m. Muitas são cultivadas para extração de madeira e outras como ornamentais por sua bela folhagem e formato de sua casca. As flores do eucalipto são pequenas e geralmente brancas. Sua beleza corre por conta dos estames, numerosos, livres e dispostos em várias séries. Em algumas espécies são de colorido intenso, como em Eucalyptus ficifolia, em que são rubros. O fruto é uma cápsula cheia de diminutas sementes. Na Austrália e ilhas vizinhas, de onde é nativo, o eucalipto forma extensas florestas de altas árvores com poderosos troncos.

O eucalipto tem inúmeras aplicações. Há espécies que se adaptam a condições particulares de solo e outras cujo cultivo se recomenda pelo emprego a que se destinam. Algumas podem ser cultivadas em terras secas; ou em terras úmidas; alagadiças; em condições de proximidade do mar; outras são indicadas para terras pouco férteis; ou de boa fertilidade; ou ainda para solos arenosos. São muito empregados, por seu rápido crescimento e porte, para formar quebra-ventos ou em arborizações rodoviárias. Grande quantidade de pés se cortam anualmente para fornecer postes e mourões de cercas. Há qualidades indicadas como produtoras de madeiras para marcenaria, para construções e para lenha. Dormentes e carvão de madeira são produzidos regularmente com o eucalipto. Seu grande crescimento exige grande absorção de água, motivo pelo qual é usado para sanear regiões pantanosas.

Os eucaliptos são ricos em óleos voláteis, com mais de 40 tipos diferentes registrados. Os mais comuns são: cineol (eucaliptol), um composto terpênico com o odor típico do eucalipto; citronelal, com aroma de limão; piperonal, um aldeído fenólico com odor de menta; e pineno, de odor semelhante ao da aguarrás. A incisão na casca dos eucaliptos também fornecem uma resina oleosa que contém taninos. A destilação seca produz gás em apreciável quantidade. O óleo de eucalipto tem emprego em perfumaria e cosmética. Os usos médicos do eucalipto e seus produtos se relacionam com as propriedades antissépticas e estimulantes de que são dotados.

Os usos do eucalipto pelos Aborígines australianos são pouco conhecidos, mas a casca, a resina e as folhas eram usadas medicinalmente. A decocção da casca para banhos, chagas e disenteria. O carvão obtido da casca é considerado anti-séptico; soluções de água da resina (de Eucalyptus gummifera) era usado contra disenteria e inflamação da bexiga. As pessoas ao norte preferiam a espécie Melaleuca, porque os eucaliptos do norte têm relativamente baixos teores de óleo. Além desses descritos abaixo, As folhas das espécies Eucalyptus polybractea, Eucalyptus australiana (var radiata), e Eucalyptus smithii são destilados para obtenção de óleo de eucalipto; outras, como Eucalyptus gummifera, Eucalyptus haemastoma e Eucalyptus racemosa são fontes de resina; a rutina contida em Eucalyptus macrorhyncha é usada para fortalecer vasos capilares; Eucalyptus macarthurii é rico em acetato de geranil, usado em perfumaria. As folhas de várias espécies, inclusive Eucalyptus mannifera e Eucalyptus viminalis, apresentam uma substância adocicada quando ferida por insetos. Este “maná” tem um moderado efeito laxativo, semelhante ao encontrado no exudato de Fraxinus ornus. A produção comercial de óleos de eucalipto começou em 1860 em Victoria, Austrália, por um emigrante de Yorkshire, Joseph Bosisto. Em comum com todos os óleos voláteis, os óleos de eucalipto são tóxicos e requerem precaução na manipulação, armazenamento e uso.

Eucalyptus globulus Eucalyptus globulus (eucalipto azul) é encontrado em vales úmidos de New South Wales e Victoria; é uma árvore frondosa e de grande porte; sua casca lisa branca-cremosa vai se descascando e renovando ao longo do tempo; a folhagem juvenil é ovalada e de coloração prata-azulada. As folhas adultas são brilhantes, têm formato de foice e medem até 25cm de comprimento. As partes usadas são as folhas e o óleo. Os componentes ativos são óleos voláteis, principalmente cineol (eucaliptol), terpineol e pineno; ácidos polifenólicos (gálico, caféico) e flavonóides (eucaliptina, rutina), É uma erva aromática, estimulante, descongestionante e expectorante, relaxa espasmos e abaixa febre. É efetiva contra muitos organismos bacterianos, especialmente staphylococci. É usada externamente, em inalações, para catarro, bronquite, sinusite, resfriados, e gripe; em linimentos, para contusões, torceduras e dores musculares; em ungüentos, para feridas e abscessos. Excesso causa enxaquecas, convulsões, delírio, e pode ser fatal. Em uso econômico é usado como aromatizante em produtos farmacêuticos e removedores de manchas de graxa e óleo, e desinfetantes. Fornece uma espécie de madeira importante, que foi usada para confeccionar quilhas de navios no 19º século. Foi amplamente plantado para drenar solos pantanosos, notadamente na Itália e Califórnia.

Eucalyptus citriodora Eucalyptus citriodora (eucalipto limão) é uma árvore esbelta encontrada em platôs secos de Queensland, com casca áspera e pulverulenta de coloração branca (às vezes rosa ou vermelha), folhas juvenis lanceoladas. A folhagem adulta é lisa, mais estreita e muito mais longa que a juvenil. Todas as partes contêm forte aroma de limão. As partes usadas são as folhas, óleo e resina. É uma erva aromática, adstringente que é efetiva contra algumas infecções bacterianas e fungais. É usada externamente para pé de atleta, caspa, herpes, candidíase, infecções causadas por Staphylococcus aureus (como furúnculos, impetigo e septicemia), e como em inalação para febres, asma e laringite. Folhas secas aromáticas são incluídas na alimentação como tempero e em sachês. É a fonte mais rica e econômica conhecida de citronelal, usada em perfumaria, detergentes e repelentes de insetos.

Eucalyptus dives Eucalyptus dives é encontrado em bosques e é uma árvore frondosa de pequeno porte, privada de caule e com formato de coração; as folhas juvenis têm coloração azul esverdeada. A folhagem adulta é espessa, brilhante e amplamente lanceolada. No verão pequenas flores brancas aparecem nas axilas foliares. Suas partes usadas são as folhas e o óleo; o óleo predominante varia de acordo com a região de extração; o óleo volátil consiste principalmente em piperonal, cineol (eucaliptol), ou timol. É uma erva aromática, anti-séptica que tem efeitos anti-inflamatórios. Plantas que contêm principalmente piperonal são as mais amplamente usadas. É usado externamente para bronquite, infecções da boca e garganta, gripe, resfriados, neuralgia, ciática, artrite, torceduras e contusões. O mentol e timol são usados em preparações para higiene oral.

Eucalyptus camaldulensis Eucalyptus camaldulensis é uma árvores frondosa que cresce às margens dos rios e encontrada ao longo de toda a Austrália. Possui uma casca lisa, de coloração variando deste o branco até um marrom avermelhado. As folhas lanceoladas e alongadas se tornam mais pontiagudas nas árvores maduras. Umbélulas de pequenas flores de cor creme florescem no verão. Dele são usados as folhas, o óleo e a resina. É uma erva aromática, adstringente, tônica que adere aos dentes e torna vermelha a saliva. É usada internamente para diarréia; externamente para gargantas doloridas, resfriados, febres, chagas e feridas.

No Brasil, o grande incentivador da cultura do eucalipto foi Navarro de Andrade, executor da política florestal da Companhia Paulista de Estrada de Ferro. Navarro trabalhou de 1903, quando organizou o Hôrto de Jundiaí, até 1941, tendo fundado ao todo 17 hortos para a Companhia Paulista de Estrada de Ferro. Estudou os eucaliptos sob vários aspectos e fez uma coleção de 150 espécies. Grandes áreas têm sido plantadas com florestas de eucalipto. São florestas de rendimento, geralmente de propriedade de particulares, e cuja exploração racional visa satisfazer à demanda de madeiras, cada vez mais difícil de atender, frente à destruição maciça das florestas nativas. Usinas siderúrgicas e indústrias de papel, entre outras, procuram garantir o suprimento adequado de matérias primas pela execução de grandes plantios cuja rotatividade do corte lhes assegure a perenidade dos empreendimentos. O reflorestamento com eucalipto tem se revelado promissor nos solos profundos, permeáveis e de limitada fertilidade.