Céu Nossa Senhora da Conceição, "Xamã Gideon dos Lakotas", Hortelã

Hortelã

Mentha spp

Nome Popular: Hortelã,
hortelã pimenta, hortelã das cozinha, menta inglesa, hortelã de cheiro, hortelã
de folha miúda, hortelã de tempero, erva boa, hortelã cheirosa, hortelã chinesa,
hortelã comum, hortelã cultivada, hortelã da horta, hortelã de cavalo, hortelã
de leite, hortelã de panela.

Família: Labiatae.

Aspectos Agronômicos: Sua reprodução é por estacas de rizoma ou
estalão, pois raramente produz sementes. A melhor época para o plantio é o
período de chuvas, embora possa ser plantada em qualquer época do ano.

 Prefere locais com boa iluminação e não
é exigente quanto ao clima.
 O
solo deve ser fofo, úmido, bem drenado, rico em matéria orgânica e de
preferência arenosos.
 A colheita
das folhas e flores é feita quando do início da floração.

Características: A hortelã é apenas uma das 25 espécies e incontáveis híbridos da menta. Originária de regiões da Europa e Ásia, algumas mentas foram introduzidas no país já na época do descobrimento. Uma das espécies mais comuns, utilizada no dia-a-dia da cozinha, é a chamada hortelã-crespa – erva rasteira que forma pequenas touceiras, com folhas ovaladas e enrugadas.


Indicações e Usos: É uma erva bastante utilizada como tempero culinário, devido ao sabor picante e sua característica aromatizante. Também é utilizada pela indústria alimentícia (fabricação de balas, doces e licores) e de cosméticos. Como medicamento, é empregada sob a forma de chás, com inúmeras indicações. Facilita a digestão, combate a formação de gases, de cálculos da vesícula, vômito e icterícia. No aparelho respiratório, favorece a expulsão dos catarros e impede a formação de mais mucos. É bom remédio para a laringite. Indicado também para a expulsão de vermes intestinais. Particularmente indicada nos espasmos de estômago e cólicas intestinais e biliares. No uso externo, por meio de fricções, exerce ação anestésica e ainda alivia a dor nos casos reumáticos. Também tem uso como dentifrício.


Os árabes costumavam regar as mesas de banquete com menta antes das festas e limpavam o chão com a erva para estimular o apetite dos convidados.

Parte Utilizada: Folhas e sumidades
floridas.

Constituintes Químicos:

-piperitone;
-alfa – mentona (8 – 10%);
-mento – furano (1 – 2%);
-metilacelato;
-pulegona;
-cineol (6 – 8%);
-limoneno;
-jasmone;
-princípio amargo;
-vitaminas C e D;
-nicotinamida – traços;
-cetonas;
-taninos;
-sesquirterpenos: cariofileno, bisabolol;

-flavonóides: mentosie isoroifilina,
leiteolina;
-óleo essencial 0,7 a 3%
que contém mentol (40 – 60%);
-ácidos:
p-cumarínico, ferrúlico, caféico, clorogênico, rosmarínico e outros;

-outros constituintes incluindo carotenóides,
colina, betaína e minerais.

Origem: Regiões temperadas do globo (
Europa, Japão e China ).

Aspectos Históricos: Segundo a mitologia grega a ninfa Menthe, filha
de Cocyte, Deus do rio, foi responsável pela criação da hortelã. Diz-se que
Menthe era amada por Plutão, Deus dos infernos, e isto enfureceu Perséfone,
esposa de Plutão. A ira de Perséfone transformou a adorável Menthe numa planta
destinada a crescer na entrada das cavernas.
  O nome botânico, provém de mentha, sendo um
tributo a ninfa.
  Mitologia à
parte, os povos antigos conheciam as propriedades medicinais da planta e Carlos
Magno, numa atitude de pioneirismo ecológico baixou decreto para proteger a
hortelão nativa.

Uso:


* Fitoterápico:

Tem ação: carminativa, eupéptica, colagoga,
estomáquica, anti-séptica, antielmíntica, antiespasmódica, analgésica,
estimulante, colerética, diurética, sedativa, expectorante.
É indicada:
-fadiga geral;
-anatomia digestiva, gastralgias;
-cólicas, flatulências, vômitos durante a
gravidez;
-intoxicações de origem
gastrintestinal;
-palpitações,
enxaquecas, tremores;
-afecções
hepáticas;
-asma, bronquite crônica
(favorece a expectoração);
-sinusite;
-dores dentárias (bochechos);
-nevralgias faciais provocadas pelo frio.

* Farmacologia: Diminui o tonus da cárdia e facilita a
eliminação de gases. A nível do tubo digestivo a hortelã exerce uma ação
estimulante da secreção estomacal e da contratilidade intestinal. O óleo
essencial é responsável pela atividade carminativa e eupéptica, agindo sobre as
terminações nervosas da parede gástrica. O ácido rosmarínico é um antioxidante,
favorecendo a biotransformação normal dos alimentos ingeridos. As propriedades
colagoga e colerética são atribuídas aos flavonóides.
 A ligeira atividade anti-séptica, ao nível do
trato digestivo, é explicada pelo fato de que o mentol é excretado pela
bile.
  Apresenta também uma
ligeira atividade anti-séptica e expectorante útil em casos de inflamação da
mucosas brônquicas.
 
Externamente, o mentol presente no óleo essencial excita os nervos sensoriais,
diminuindo a sensação de dor, desenvolvendo ação anestésica (Teske; Trenttini;
1997).

Riscos: O mentol em crianças de pouca
idade e lactentes pode levar à dispnéia e asfixia. A essência irrita a mucosa
ocular (conjuntiva). Em pessoas sensíveis pode provocar insônia.


Uso Interno:

Erva seca: 2 a 4g, três vezes ao dia.
Infuso: 1 colher de sobremesa de folhas por xícara.
Tomar 3 xícaras ao dia, após ou entre as refeições.
Essência: dose média 0,05 a 0,30g por dia (45 gotas
).
Óleo: 0,05 a 0,2mL, três vezes ao
dia.
Tintura: 20%, dose 2 a 10g por
dia.
Xarope: 20 a 100g por dia.

Tintura mãe: 40 gotas, 3 vezes ao dia.

Sauna facial para nevralgias faciais
provocadas pelo frio: 25g de folhas em 0,5 litro de água fervente. Expor o rosto
aos vapores, cobrindo a cabeça com uma toalha.

Bibliografia:
-Balbach, A. As Plantas Curam. Itaquaquecetuba:
Vida Plena, 2ª edição, 1997, p.128-129.
-Bremness, L. Plantas Aromáticas. São Paulo:
Civilização, 1993, p. 58-59.
-Carper,
J. Curas Milagrosas. Rio de Janeiro: Campus, 2ªedição, 1998.

-Corrêa, A.D.; Batista, R.S.; Quintas, L.E.M.
Do Cultivo à Terapêutica. Plantas Medicinais. Petrópolis: Vozes, 1998, p.
145-146.
-Júnior, C.C.; Ming, L.C.;
Scheffer, M.C. Cultivo de Plantas Medicinais, Condimentares e Aromáticas.
Jaboticabal: Funep/Unesp, 2ª edição, 1994,  p. 101-102.
-Matos, A.J.A. Farmácias Vivas. Fortaleza: UFC,
3ªedição, 1998, p. 127-129.
-Panizza,
S. Cheiro de Mato. Plantas que Curam. São Paulo: IBRASA, 1998, p. 
151-152.
-Teske, M.; Trenttini, A.M.M.
Compêndio de Fitoterapia. Paraná: Herbarium, 3ª edição, 1997, p.
182-184.