Céu Nossa Senhora da Conceição, "Xamã Gideon dos Lakotas", Jurubeba

Jurubeba

Solanum paniculatum L.

Solanum paniculatum

Nome Popular:
Jurubebinha, jurubeba branca, jurubeba verdadeira, jubeba, jupeba, jurupeba,
juvena, juuna.

Família:
Solanaceae

Solanum é o gênero mais representativo da família Solanaceae e consiste de cerca de 1.500 espécies perenes, arbustos, árvores, e trepadoras, sendo um dos mais numerosos do mundo. Apresenta muitas plantas úteis usadas na alimentação e também muitas plantas infestantes ou daninhas. Só no Estado de Santa Catarina em 1966 foram levantadas 73 espécies do gênero Solanum, algumas com diversas variedades. Com mais algumas espécies que só ocorrem em outras regiões, a ocorrência no Brasil seguramente ultrapassa 100 espécies. A maioria das plantas do gênero Solanum contém alcalóides tóxicos. Em algumas espécies de Solanum, certas partes são comestíveis enquanto outras partes da mesma planta são muito venenosas, O melhor exemplo conhecido é a batata (Solanum tuberosum) que tem folhagem e frutos venenosos e tem tubérculos comestíveis (embora estes fiquem venenosos quando se tornam verdes pela exposição prolongada à luz).

Muitas espécies de Solanum são conhecidas como “jurubeba”: S. angustifolium Lam., S. asperolanatum Ruiz & Pav., S. cuneifolium Dun., S. diphyllum L., S. fastigiatum Willd., S. ficifolium Ortega., S. glaucum Dun., S. paniculatum Willd., S. robustum Wendl., S. stramonifollum Lam., S. torvum Sw., S. variabile Mart.

Solanum paniculatum é uma planta nativa nas Regiões Norte e Nordeste do Brasil, tendo se espalhado por outras regiões, podendo ser encontrada até no Rio Grande do Sul, onde todavia é pouco freqüente. Ocorrem duas formas de Solanum paniculatum: uma com folhas mais recortadas (em plantas adultas) e inflorescências com rácemos mais longos; outra com folhas menos recortadas (em plantas adultas) e inflorescências com rácemos mais curtos, portanto com menos flores. A origem do nome vem do adjetivo latino “paniculatum”, paniculado, pelo tipo de inflorescência. Os principais nomes populares são: Jurubeba, Jurubeba-verdadeira, Jupeba, Juribeba, Jurupeba, Gerobeba e Joá-manso. O nome vulgar deriva do tupi “yú”, espinho, e “peba”, chato.

É um planta perene, reproduzida por semente. Ocorrem longos rizomas subterrâneos, dos quais emergem caules adventícios. É um arbusto ou pequena árvore com até 3m de altura armada com espinhos curtos e curvos, ocorrendo principalmente nos ramos inferiores bem como em plantas novas. Caule cilíndrico, ramificado, sendo os ramos fáceis de serem quebrados. As folhas são simples, alternas, muito próximas na parte terminal dos ramos; pecioladas, com limbo bastante variável. As folhas podem chegar a 18cm de comprimento por 10cm de largura. A inflorescência aparece na parte terminal dos ramos, onde se concentram muitas folhas aproximadas, elevando-se longos pedúnculos, com até 15cm de comprimento. O florescimento é continuado por um longo período. Os pedúnculos, bem como os cálices, têm coloração cinzenta, pela intensa pilosidade. As flores são de coloração violácea com um pequeno triângulo esbranquiçado na parte mediana de cada lobo. Anteras de coloração amarelo-intensa, contrastando fortemente com o violáceo da corola. Os frutos são solanídios globosos de coloração amarela na maturação.

Solanum paniculatum A planta é muito utilizada na farmacopéia popular, sendo utilizadas as folhas, os frutos verdes e as raízes no preparo de infusões e decoctos e são usados nas doenças hepáticas, icterícias e como diurético. Atribue-se à planta efeitos como febrífuga, emenagoga, bem como estimulante das funções digestivas, do fígado, etc. Vendem-se preparações comerciais, alcoólicas ou não, com extratos da planta. Do ponto de vista químico, são encontrados alcalóides, gluco-alcalóides, ácido clorogênico, saponinas e resinas. Esses compostos também tem algum efeito tóxico, de modo que não se recomenda a ingestão freqüente de preparações de jurubeba.

Frutos de algumas espécies como Solanum paniculatum, S. asperum, S. fastigiatum, S. erianthum, S. grandiflorum, S. nudum e S. hazeni são indicados na literatura como fonte de alimento para morcegos e provavelmente as sementes também são dispersadas por eles. Uieda e Vasconcellos Neto efetuaram um estudo de dispersão de sementes de Solanáceas e encontraram sementes viáveis de Solanum grandifiorum e Solanum asperolanatum em fezes de morcegos das espécies Corollia spicillata e Stumira lilium (Phyllostomidae).

Aspectos Agronômicos:
A reprodução se dá por sementes ou pelos brotos
que nascem nas raízes laterais, que se propagam horizontalmente sob o solo, e
que vão a vários metros da planta mãe.
Prefere solos arenosos, e por ser uma planta
muito resistente, não necessita de muitos cuidados para o seu cultivo.

Medra principalmente em pastagens,
lavouras perenes, beiras de estrada, pomares e terrenos baldios.

As folhas podem ser colhidas durante
todo o ano, mas de preferência, na florada que ocorre no verão.
As raízes são coletadas na época em que a planta
floresce.

Parte Utilizada: Folhas, raízes e
frutos.

Composição Química:
– alcaloídes (1% do peso seco: solamina, solanidina,
solasodina);
– esteroídes
nitrogenados;
– saponinas;

– esteroidais nitrogenados (paniculina,
jurubina);
– agliconas (isojurubibina,
isopaniculidina, isojurupidina e jurubidina);
– ácidos graxos;
– ácidos orgânicos;
– glicosídeos (paniculoninas A e B);
– mucilagens;
– resinas (juribina e jurubepina);
– princípios amargos.

Origem: América tropical, medrando
desde os limites das Guianas até São Paulo e Minas Gerais.

Aspectos Históricos:
Nativa do Brasil e comum em vários estados do
país a jurubeba é muito utilizada na medicina popular contra problemas
digestivos.
Seu nome vem do tupi
– guarani “jurubeba”, que quer dizer “papagaio achatado”.

Uso:


* Fitoterápico:

Tem ação: tônica, antianêmica, digestivo, estimulante
do apetite, hepático, colagoga, febrífuga, anti – malárica, desobstruente do
fígado e do baço (para hepatoesplenomegalia e icterícia), diurética,
cicatrizante e hipoglicemiante.
É
Indicada:
– dispepsias
inespecíficas;
– azia;

– naúseas;
– anorexia;

síndrome pós – hepatite;

hepatopatias crônicas;
– gastrite e
úlcera péptica;
– redutor da acidez da
secreção gástrica e indutor da cicatrização da mucosa;
– anemia ferropriva.

* Farmacologia:  A jurubeba possui resinas com atividades
cardiotônicas e colagoga. Alguns componentes da fração das resinas (jurubina e
jurubepina) são consideradas os princípios ativos responsáveis pela ação
cardiotônica. Seus alcalóides, especialmente a solanina, apresentam, em doses
baixas por via oral (> 1mg/kg), ação analgésica e anti – pruriginosa. Esta
ação é mediada através do bloqueio dos impulsos dolorosos no sistema
nervoso. Os princípios amargos da jurubeba aumentam a secreção de suco gástrico
e entérico, melhorando o processo digestivo. Os extratos da planta apresentam
atividade inotrópica positiva em coração isolado de sapo.
Pequenos estudos realizados com extrato aquoso de
jurubeba, com objetivo de comprovar seu efeito na úlcera gástrica crônica em
ratos induzida por 50mL de ácido acético 10% e 50mL de salina, mostram que o
extrato acelerou a cicatrização das lesões gástricas crônicas na dose de 250 a
500mg/kg de peso.

Riscos: Pode apresentar sinais de
toxidade: diarréias, náuseas, vômitos, gastrite e duodenite erosiva, elevação
das enzimas hepáticas e eventualmente sintomas neurológicos.


Uso Interno:

Maceração: 4g de folhas ou frutos verdes em um copo de
água fria, também consumida sob forma de vinhos; bastando para tanto deixar
macerar no vinho branco.
Infusão: 2
colheres de sopa de folhas ou flores ou frutos picados para 1 litro de água
fervente. Tomar 3 xícaras de chá morno, sem açúcar, por dia.

Bibliografia:
http://www.canalvip.com.br
http://www.floramedicinal.com.br
http://www.ervasdositio.com.br
http://www.aquimia.vila.bol.com.br
http://www.cotianet.com.br
http://www.deleoni.com.br
Panizza, S. Cheiro de Mato. Plantas que Curam. São
Paulo: IBRASA, 1998, p. 132.