Céu Nossa Senhora da Conceição, "Xamã Gideon dos Lakotas", Sálvia

Sálvia

Salvia officinalis

Salvia officinalis

Nomes Populares: Salva,
salva – das – boticas, salva – dos – jardins, salva ordinária.

Família:  Labiatae.

Características: A sálvia, salva, salva-verdadeira, salva-das-boticas ou salveta é natural da Europa e cultivada desde a antigüidade. Citada em estudos do ano 23, acreditava-se que era capaz de acabar com encantos e magias. Faz parte da mesma família da hortelã, manjericão, alecrim, poejo, entre outras. Cresce formando uma moita que varia entre 30 e 80cm de altura, com folhas ovaladas, compridas e aveludadas. As flores, em tons de violeta, rosa ou branco, surgem agrupadas em espigas e são melíferas. Toda a planta da sálvia apresenta um aroma agradável e característico, com sabor quente, picante e um pouco amargo. Sálvia, do latim slavus, significa saúde.

Atenção: Por reduzir secreções salivares, sudoríficas e principalmente lácteas, ela não é recomendada para gestantes e lactantes, nem deve ser tomada por longos períodos.

A crença popular diz que as madrinhas devem presentear seus afilhados com um travesseiro forrado de sálvia, para lhes trazer felicidade.


Aspectos Agronômicos:
Planta típica de clima mediterrâneo, porém pode ser
cultivada com sucesso em certas regiões de clima ameno do sul do Brasil. Aprecia
ser cultivada em locais que recebam bastante luz solar e cujo clima seja quente,
porém ameno, sem excessos de calor.
A
Sálvia não se desenvolve bem em locais sujeitos a ventos.
Prefere solos de terreno bem drenados, permeáveis,
argilo – arenosos, leves, ricos em matéria orgânica e nutrientes, com um bom
suprimento inicial e periódico de nitrogênio, e com uma boa exposição à luz
solar. Algumas espécies e variedades prosperam em solos ácidos e outras em solos
alcalinos ricos em cálcio.
A primeira
colheita é efetuada em dias não secos no segundo ano de vida da planta.

Caso só interessar as folhas sem as flores,
então a colheita é efetuada cuidadosamente, poucas horas antes do início da
formação dos órgãos florais, pois caso contrário as substâncias aromáticas e
medicinais contidas nas folhas se transferirão  rapidamente para os órgãos
florais, prejudicando a qualidade das folhas.

Parte Usada:  Folha e sumidades
floridas.

Constituintes Químicos:

-óleo essencial: ( 1,2 a 2,5% ): borneol,
cineol, cânfora e tuiona.
-triterpenos: ácido ursólico e oleanólico e seus
glicosídeos, ? e ? – amirina.
-ácido
rosmarínico.
-flavonóides.

-taninos: 2 a 8%.
-substância estrogênica.
-ácido clorogêncio e labiático.
-saponinas.
-resinas: 5 a 6%.
-mucilagens.

Origem: Sul da Europa e região
mediterrânea.

Aspectos  Históricos: Os antigos gregos e romanos
consideravam a sálvia uma planta capaz de curar todas as enfermidades,
utilizando-a especialmente como tônico geral.
Na  Idade Média empregavam-na também contra prisão
de ventre, cólera, resfriados, afecções hepáticas e epilepsia.
Segundo Saint – Simon, Luis XVI bebia todas as manhãs,
ao levantar, duas xícaras de sálvia e verônica.
A escola de Salerno atribuiu-lhe o seguinte axioma: “
Se existisse algum remédio contra o poder da morte, o homem não morreria no
jardim onde cresce a sálvia” .
O nome
Salvia deriva do latim Salus, saúde, alusão às propriedades curativas da
planta.

Indicações e Usos: Bastante utilizada na culinária, por suas propriedades aromáticas e sabor sofisticado, também é grande o seu emprego na medicina caseira. O chá é indicado nas más digestões, indisposições de estômago acompanhadas de vômito, gases e dores de cabeça resultantes desses problemas. Tomado quente, é bom para resfriados, tosses, bronquites, e acúmulo de catarro nos brônquios. Recomenda-se a mistura de seis a sete gramas do pó das folhas secas com um pouco de mel para eliminar o catarro crônico (cinco colherinhas por dia). Em chá ou tempero (em proporções moderadas), a sálvia combate o suor excessivo, a inflamação das vias urinárias e problemas na pele. Gargarejos de folhas e flores preparadas por infusão dão bom resultado contra inflamações na garganta e dificuldades de engolir. Um punhado de folhas verdes de sálvia, mastigado demoradamente e engolido sem pressa todos os dias deixa os dentes brancos e normaliza a função intestinal, além de fortificar o coração, contribuir para diminuir a glicose do sangue (sendo por isso indicada para pessoas diabéticas), perfumar o hálito e afastar as infecções da garganta. E proporcionam um alívio rápido quando esfregadas em partes do corpo picadas por abelhas, vespas, mosquitos, marimbondos etc. Recomenda-se ainda o chá forte de sálvia para escurecer os cabelos e acabar com a caspa e o banho de imersão com as folhas para aliviar o cansaço.

Usos:


* Fitoterápico:

– Em afecções da pele, de origem micótica e
feridas.
– No tratamento de
enfermidades que causam sudorese.

Como auxiliar da digestão ( má digestão ), gastrite, gases.
– Cólicas estomacais, intestinais e menstruais, falta
de menstruação, dores ovarianas.

Devido a sua ação anti-séptica pode ser usada em produtos par higiene bucal,
auxiliando nas afecções da boca ( estomatites, gengivites, glossites, aftas ) e
garganta ( laringite, faringite ).

Piorréia.
– Coração, diabete.

– Fígado, rins ( cálculos ).
– Cansaço, esgotamento nervoso, depressão.

– Tremores e vertigens.
– Impotência sexual.
– Albuminária.
– Excesso de ácido úrico.
– Asma, tosses.
– Caspa e inflamação no couro cabeludo.

Óleo:

-Dores

-Estimulante dos nervos e supra renal

-Gargarejo para dor de garganta

-Menopausa

-Recupera a energia do organismo
-Seca
o leite durante a amamentação
-Usado
para diminuir as dores durante o trabalho de parto.


*
Fitocosmético:

– Sua essência é
usada como fixador na confecção de perfumes.
– Em produtos anticaspa e estimulantes do crescimento
capilar.
– Cremes e loções para peles
oleosas e acneicas.
– Produtos para
banho estimulante.
– Coadjuvante no
tratamento de rugas.
-O chá pode ser
usado para escurecer os cabelos.
-O
óleo/chá : para peles e cabelos oleosos.

* Farmacologia: É usada como desodorante antiperspirante pela
capacidade de fechar poros dilatados, reduzindo o excesso de oleosidade, devido
à presença de flavonóide, taninos e ácidos orgânicos como o ácido clorogênio.
Sua emoliência é dada pelas mucilagens que possuem a capacidade de reter
água.
A sálvia é sudorífica por efeito
sedativo sobre o centro de calor. As secreções lácticas e salivares também são
diminuídas. Esta propriedade faz da sálvia um medicamento de escolha nos estados
de hiperidrose como febres, menopausa, e sudoração nervosa.

Riscos: Caso ocorram reações indesejáveis deve-se suspender o
uso.
Não deve ser usado por gestantes,
pois estimula as contrações uterinas.


Uso Interno:

– Infusão: 1 a 1,5g de folha em 1 xícara de água
fervente. Tomar após as refeições. Em casos de sudoração noturna beber 1 xícara
antes de deitar.
– Óleo essencial: 2 a
4 gotas, 3 vezes ao dia, em solução alcoólica.
– Pó: 1 a 4g três vezes ao dia ou por infusão.

– Tintura: 40 a 50 gotas, 2 horas antes de
dormir ou a cada 8 horas.
– Extrato
fluido em álcool 45%: 1 colher de café antes de dormir.

Uso Externo:
– Infuso: 15 a 30g de folhas em 1 litro de água
fervente. Banhos, enxágües ou gargarejos, 3 a 4 vezes ao dia.

Fitocosmético:
– Xampus, loções capilares e purificantes, cremes,
loções, leite demaquilante, produtos par higiene bucal: 2 a 5% de extrato
glicólico.
– Desodorantes e
antiperspirante: 5 a 10% de extrato glicólico.

Bibliografia:
-Caran,M.Ervas medicinais.Cultivo e Uso Prático.Plantas
cultivadas e silvestres.[S.l.:s.n],[19–].Apostila.
-Francisco,I.; Hertwig,V. Plantas Aromáticas e
Medicinais. SãoPaulo: Ícone,
1986.
-Plantas Que Curam.A natureza a
serviço da saúde.Rio de Janeiro:
Três,v.4,nº34,[19–].
-Rose,J.O Livro da Aromaterapia.Aplicações e Inalações.Rio de Janeiro: Campus,1995.
-Sanguinetti,E.E. Plantas Que Curam. Porto Alegre: Rígel, 2ªedição, 1989.

-Teske,M.; Trenttini,A.M.M. Compêndio de Fitoterapia. Paraná: Herbarium, 3ªedição.