Capítulo I – Início da Verdade

Amados, desejo falar-Ihes sobre as virtudes da vontade, da sensibilidade, da inteligência e da coragem. Também sobre as capacidades inatas dos seres humanos da criatividade e da imaginação. Como o professor Alberto Montalvão sempre ensinou o ser humano é vontade, sensibilidade e inteligência. E isso, eu posso lhes afirmar, é a mais pura verdade.

Quando observamos de perto o processo da vida e da evolução da humanidade, percebemos que a intuição sempre aponta a direção correta, o melhor caminho a seguir e traz a solução perfeita para o problema que você está passando, inclusive neste momento. Portanto, atentar à voz da intuição é questão de sabedoria. E é através da sensibilidade que você perceberá a intuição que fala dentro de si.

A razão não pode e não consegue alcançar a intuição, que está em nós, mas situa-se além da lógica racional. Ela não pertence ao mundo tridimensional, como a razão e os pensamentos. Mas, uma vez que a intuição já tenha lhe mostrado onde deve chegar, então é hora de você usar a razão. Porque será através da razão que você irá planejar, traçar os passos a serem dados para alcançar aquele ponto que a intuição lhe mostrou. E é exatamente aí que você usará muito as capacidades da criatividade e da imaginação, inclusive para contornar obstáculos que possam surgir no caminho. Na maioria das vezes, graças a sua criatividade, os obstáculos serão transpassados com muita facilidade.

Uma vez que você já traçou os passos a serem dados, o caminho a ser percorrido então, é chegado o momento da vontade. A vontade fará você galgar os degraus que planejou subir, caminhar passo a passo no caminho traçado, até alcançar o objetivo que a intuição lhe mostrou. À vontade, a sensibilidade e a inteligência são as três virtudes primordiais que já nascem com todo.s os seres humanos, mas precisam ser trabalhadas para se tornarem mais intensas.

Meu filho saiba que por ser filho de Deus você já nasceu como Deus filho: imagem e semelhança do Deus pai. Sim, todas as virtudes do Deus pai já se encontram como sementinhas dentro de você, deus filho, mas é preciso cultivá-las com afinco e determinação. Saiba que você já nasceu destinado a toda forma de vitória, a toda forma de sucesso. O Papai do Céu o ama muito e não abre mão de nenhum de seus filhos, inclusive de você que me lê agora! Você é mesmo o sal da terra e o Grande Espírito já o considera como jóia rara do seu tesouro.

As virtudes que já se encontram dentro de você, meu filho, não podem ser contadas pelos cabelos de sua cabeça ou mesmo pelas estrelas do céu! Mas todas essas incontáveis virtudes, latentes em você, só irão se manifestar a partir do desenvolvimento das virtudes mater que já nasceram contigo: vontade, sensibilidade e inteligência. Mas é importante você saber que, dessas três virtudes em questão, a da vontade é o apoio e até mesmo a base das outras duas.

Quando você deixa de ser “homem passividade” e passa a ser “homem vontade”, ocorre um aumento rápido e gradativo das capacidades da sensibilidade e da inteligência.

De todos os seres vivos da Terra, o ser humano é o único capaz de ter criatividade. Você sabia que, de todas as criaturas já conhecidas deste planeta, o ser humano é a única capaz de imaginar uma situação e prever os acontecimentos resultantes? Maravilhoso, não é?

Você pode criar na sua mente uma determinada situação e ver com clareza o resultado final do experimento, sem que tenha de concretizar tal coisa no mundo da matéria. Se você seguir pensamentos ilógicos, que fogem das leis da razão, você entrará no campo das fantasias, estará canalizando mal essa capacidade e a sua energia também. Mas a capacidade da criatividade, se usada dentro das leis da razão, dentro do conhecimento real adquirido em experiências passadas e em estudos já realizados, vai fazer você encontrar a solução para um determinado problema que pode estar vivendo neste exato momento. E aí a canalização da energia será perfeita. Abrir mão da sua capacidade de criar é negar a si mesmo e, como conseqüência, sofrer com resultados que poderiam ser facilmente evitados. Vou contar uma historinha que vai elucidar muito bem o que afirmo:

Certa vez, um cachorrinho foi a um safári junto com seu dono. O cãozinho, alegre e faceiro, se divertia muito correndo atrás das mariposas e das libélulas. E, tal era a sua alegria, não percebeu que se afastava cada vez mais do acampamento e adentrava a área selvagem, já de caça. Finalmente, quando o cãozinho percebeu que estava na savana, campo aberto de caça, território 100% selvagem, já se encontrava muito longe da segurança do acampamento do safári.

Exatamente nesta hora, percebeu que uma grande pantera vinha em sua direção e, claro, adivinhe só quem era o almoço da pantera? O cachorrinho pensou: “Santo Cão, o que faço agora? Eu posso correr. Mas certamente esta pantera peralta vai me alcançar rapidamente. Afinal de contas, ela alcançaria até um impala. Bom, então posso brigar. Mas certamente ela me fará em pedaços. É muito mais preparada que eu e sozinha vale por uma matilha inteira”.

Foi quando o cachorrinho, percebendo um punhado de ossos ao seu lado, teve li ma idéia e a colocou em prática. Dando as costas para a pantera, como se ainda não a tivesse visto, começou a roer um daqueles ossos. Quando a pantera chegou bem perto e deu uma pequena parada para preparar um bote melhor, o cãozinho, fingindo ainda não ter visto a pantera, ergueu a cabeça e disse exclamando: “Hummm… que delícia essa pantera que eu acabei de comer!” A pantera, ouvindo isso, levou um baita susto e saiu a correr, desesperada. Ainda pensou: “Nossa, que cãozinho bravo! Quase me almoça!”

Mas o macaco, que tudo assistira, morrendo de inveja da esperteza do cãozinho, correu gritando atrás da pantera: “Dona pantera, então não percebe a grande peça que este cachorrinho lhe pregou?” E contou tudinho para a pantera. A pantera, enfurecida, disse: “Suba nas minhas costas, senhor macaco. Irei até aquele cãozinho e agora vamos ver quem come quem!”

Quando o cachorrinho avistou a pantera com o macaco nas costas, correndo e bufando furiosa, logo entendeu o que havia acontecido. “Mas, e agora, o que hei de fazer?”, pensou o cachorrinho. Então, mais uma vez, teve uma idéia e a pôs em prática. Tornou a virar de costas como se ainda não tivesse visto a pantera e continuou a roer aquele pedaço de osso.

Quando a pantera, com o macaco nas costas, já estava bem perto, o cachorrinho, ainda fingindo não saber da presença da pantera, ergueu a cabeça e exclamou muito bravo: “Maldito daquele macaco, já faz meia hora que ficou de me trazer outra pantera para eu poder comer!” A pantera levou um baita susto de novo e fugiu mais desesperada do que da primeira vez, mas levando na boca o macaco morto.

Percebem, queridos, em momentos de crise só a imaginação é melhor que o conhecimento! Esse cachorrinho, mesmo com todo o medo que teve ao ver a enorme pantera, foi corajoso e não se deixou abater. Mesmo com muito medo, elaborou um plano através da sua criatividade e o colocou em prática.

Portanto, saiba você que ser corajoso não é não ter medo. Ser corajoso é prosseguir adiante apesar do medo que sente! Ouça, meu filho, você pode ficar aí parado, arrumando desculpas para os seus fracassos e desilusões ou avaliar com muita atenção os ensinamentos que lhe passo. Por meio deles, você descobrirá que também é capaz de vencer em todos os sentidos e que na verdade já nasceu destinado à iluminação. Mas o caminho é você quem escolhe!

Sei que às vezes você deve se perguntar: “Como é que algumas pessoas foram mais longe do que outras e conseguiram alcançar o êxito? Como foi que pessoas aparentemente simples, que nasceram em uma família pobre e muitas vezes cresceram segurando em um cabo de guatambu da enxada carpindo pastos, tornaram-se ricas e bem sucedidas na vida? E, às vezes, pessoas que já nasceram em berço de ouro, tiveram o melhor estudo e ainda receberam uma herança volumosa terminaram seus dias na pobreza, pagando aluguel e muitas vezes trabalhando como empregadas exatamente daqueles que cresceram carpindo pastos?”

Muitas vezes, ouvi pessoas com mais de 50 anos dizerem que já estavam velhas demais para mudar. Que triste ouvir isso! Essas pessoas só envelheceram mesmo o corpo, em espírito pouco cresceram. Elas ainda pensam presas no tempo e no espaço. Algumas, racionalizando, dizem já estarem velhas demais para mudar. Imagine, velhas demais para mudar em relação a quê? Ora, um homem é quase imortal, se comparado a um pé de alface! Mas, se for comparado a uma montanha, será menos que um feto! Na verdade, tais pessoas apenas demonstram o medo que têm das mudanças; ou então uma enorme preguiça espiritual que, aliás, resultará em grandes sofrimentos.

Saiba que o êxito está ao seu alcance e para isso não importa a sua idade. Para atingir o êxito não existe idade determinada. Idade, meu filho, só vale mesmo é para aposentadoria! Vou contar uma história, que encontrei na Internet, porém sem verificar sua autenticidade, mas que vai elucidar muito bem as verdades que ensino:

Um senhor de 65 anos ainda trabalhava como vendedor em seu carrinho de lanches. Passou praticamente sua vida adulta inteira vendendo cachorros-quentes e outros lanches. Contudo, ele sempre criava novos tipos de lanches e devido a isso foi muito criticado pelos outros vendedores. “Você é louco”, diziam, “fica perdendo seu tempo criando coisas que não dão certo. Contente-se em fazer o cachorro quente que todos nós fazemos!” Outros ainda escarneciam dele: “Ele gosta de ser diferente gente!” E riam. O velhinho nunca lhes deu ouvidos e jamais desanimou. Continuou a criar novos lanches e também a vender os tradicionais.

Certa vez vendeu o ponto com o carrinho de lanches e alugou uma garagem, onde finalmente abriu sua lanchonete. Ele sonhou com essa lanchonete por mais de 40 anos! Um ano depois, ele havia comprado o imóvel e não pagava mais aluguel além de ter aberto uma lanchonete filial no bairro vizinho. Agora eu vou lhes dizer o nome desse senhor admirável que nunca desistiu e jamais se abateu: o nome dele é Richard McDonald!

Você pode alegar que quem atingiu o êxito já possuía um talento nato. Mas, então, eu lhe pergunto: por que tanta gente talentosa não sai do lugar, não progride na vida? Eu mesmo conheci um jovem que possui um talento excepcional para pintura, mas vive nas ruas como hippie, fazendo pulseirinhas e anéis para sobreviver. Por fim, acabou por se acomodar em uma dessas religiões que possuem comunidades alternativa, aguardando vencer os seus dias na Terra. Existem excelentes comunidades alternativas nas quais todos trabalham muito e possuem, um objetivo comum, mas comunidades sérias não aceitam pessoas que apenas procuram um barranco morrerem encostadas. Então, talento não é a resposta! O talento por si só não leva ao êxito.

Você pode alegar que o esforço irá coroá-lo com o êxito. Mas, então, eu lhe pergunto: como é que tem tanta gente que trabalha pesado, dá duro na vida, trabalha aos domingos e feriados, dorme pouco, mas não sai do lugar? Como negar a grande determinação, a persistência e o esforço de um homem que puxa uma carroça nas ruas recolhendo papelão, latinhas e plásticos o dia inteiro, mas ganha quatrocentos reais por mês? Eu conheci um homem que trabalhava como pedreiro, o nome dele é Sr. Gregório. Ele foi uma das pessoas mais esforçadas que eu já vi na vida, gostava mesmo de pegar no pesado. Mas já estava com 60 anos quando consegui finalmente ter a sua própria casa.

Então, o esforço não é a resposta. O esforço por si só não o leva ao êxito. Você pode alegar que a educação leva ao êxito. Mas eu lhe pergunto: como é que alguns analfabetos conseguiram revolucionar um país e alguns semi-analfabetos revolucionaram o planeta? Desejo lembrar a você que o Sr Lula, presidente da república, não tem formação superior. Temogim, por exemplo, escravo e analfabeto, liderou uma rebelião reunindo outros escravos, recebeu o nome de Gengiskam e conquistou o maior império em extensão de terras que se tem registro na história da humanidade. O impacto que ele causou no mundo foi tão grande que até hoje, na Mongólia, o primeiro leite do dia retirado das éguas é ofertado a ele.

Uma das maiores fortunas da Inglaterra foi formada por um vendedor de charutos e tabaco para cachimbo, que só aprendeu a ler depois de se tornar milionário. O interessante é que ele era sacristão de uma igreja católica desde a adolescência. A história é a seguinte:

Um padre morreu e foi substituído por outro bem mais jovem. Este, ao tomar ciência de que o sacristão era analfabeto, deu-lhe um dinheiro e o mandou embora. Revoltado, o sacristão decidiu, em um ato de rebeldia, fumar um charuto sem se importar com que outras pessoas da igreja poderiam falar. “Que se dane a igreja!”, disse consigo próprio. Foi quando ele percebeu como era difícil encontrar um comércio que vendesse charutos naquela cidade. Percebeu que havia pouquíssimas tabacarias, todas muito precárias.

Ele havia recebido dinheiro do novo padre e conhecia bem os fiscais locais, pois eles freqüentavam a igreja onde ele ainda ontem era sacristão. Então, pensou: “O dinheiro que tenho dá para uma pequena tabacaria e os fiscais são meus amigos, certamente vão me dar à licença necessária”. Dito e feito ele conseguiu a licença, comprou uma dessas casinhas para banca de jornal e montou sua tabacaria em um parque do centro. O antigo sacristão zelou muito pela sua tabacaria, para que ela tivesse apenas charutos de boa qualidade, como os que o antigo padre fumava. Zelou muito também pelo tabaco para cachimbo e se aprofundou nesse ramo.

O sucesso de seu empreendimento foi tanto que, um ano depois, ele já havia alugado um salão comercial e montado uma tabacaria de grande porte. E só para resumir: em 15 anos, possuía uma rede de tabacarias de grande porte espalhadas por vários países da Europa e já era um dos milionários de destaque.

Certa vez, uma repórter, ao fazer uma matéria com o antigo sacristão, descobriu que ele não sabia ler ou escrever e disse, muito admirada: “Se sem saber ler o senhor se tornou tudo isso, imagine então o que o senhor seria se soubesse ler!” E o milionário respondeu: “Seria um sacristão!”.

Então, a educação também não é a resposta. A educação por si só não o leva ao êxito. Você pode alegar, ainda, que a inteligência leva ao êxito. Mas eu lhe pergunto: como é que, mesmo hoje em dia, tantas pessoas brilhantes e geniais estão desempregadas, vivendo uma clara situação de fracasso? Recordo bem o caso de um engenheiro que após os 40 anos foi despedido e, por dois anos, não conseguiu emprego em lugar nenhum. Revoltado, arrumou um emprego de lixeiro em Itu só para chamar a imprensa e mostrar aos brasileiros como é que termina uma mente brilhante quando fica velha aqui no Brasil. É fato comprovado que, em geral, as grandes mentes geniais passam a vida trabalhando como empregados muitas vezes de patrões não tão geniais!

Assim, a inteligência não é a resposta. A inteligência por si só não o leva ao êxito. Mas, então, o que separa os homens que atingirão o êxito dos homens que nada conseguiram? Eu lhes afirmo que o êxito e o fracasso se separam por apenas uma linha tênue como um fio de cabelo. O êxito está ao alcance de todos, inclusive ao seu. Sócrates sempre ensinou que suas crenças determinam sua realidade e Platão dizia que toda grande jornada se inicia com o primeiro passo. Aristóteles ensina que a autodisciplina dos seus atos e pensamentos resulta em um você melhor.

Sêneca, um filósofo da época do império romano, sempre apregoou que, se um homem não sabe para onde se dirige, nenhum porto lhe será favorável. Alberto Montalvão e o Dr. Celso Charuri sempre ensinaram que o homem é apenas o reflexo de seus pensamentos.

Todas as grandes mentes sempre chegaram à conclusão de que o homem molda o seu destino. Você é hoje o resultado de ontem. E o seu amanhã será o resultado de hoje. Ensino com mais simplicidade: o homem colhe hoje os frutos das sementes que plantou ainda ontem. E o seu amanhã será a colheita das sementes que você plantou hoje. Olhe, irmão, existe a motivação e o incentivo. Ambos são bem diferentes! O mundo, por si só, já lhe dão o incentivo, que são todas as condições necessárias para você alcançar o êxito. A mãe Terra já lhe deu todas as condições necessárias para você superar as necessidades primárias, corp.o comer, vestir e morar. Isso já é um incentivo. E ainda há o incentivo das novas oportunidades, o incentivo de ter lima família e muitos outros. Mas o incentivo só é útil a pessoas já motivadas!

Entendeu, meu filho? Vou repetir: o incentivo só é útil a pessoas já motivadas! Ficar aguardando mudanças para começar colocar seus planos em prática é um grande erro. O grande homem está sempre em movimento. Ele sabe bem o que quer, sabe onde quer chegar, tem seu objetivo sempre em mente. Seu deleite é pensar no resultado que terá com a realização do seu objetivo. Ele respira o próprio objetivo, ele se alimenta dele. E todos os seus passos são em direção à realização desse objetivo.

O grande homem não fica aguardando as mudanças acontecerem, mas parte para a luta e provoca o acontecimento das mudanças. Ele persegue o objetivo traçado, determinado a não se deixar abater. Uma pessoa assim sabe que de nada valem as palavras e que, elas, sozinhas, não trazem o êxito. Intuitivamente, sabe que inteligente não é quem muito sabe, mas sim quem sempre põe em prática o pouco que sabe. Vou repetir: inteligente não é quem muito sabe, mas sim quem não deixa de colocar em prática o pouco que sabe.

O modo que você se posiciona em relação à vida faz a total diferença. Esta é a motivação que lhe trará o êxito! Talento, persistência, educação, inteligência e incentivo, unidos pelo catalisador da coragem e somados à ação lhe trarão o êxito. Saiba que você sempre receberá da vida exatamente aquilo que você deu. A natureza sempre favoreceu a forte, basta você observar a história para descobrir isso.

Aos olhos da natureza, a passividade é o pior dos vícios e a vontade é a maior das virtudes. Vou reproduzir um discurso de um professor muito querido por mim. Também esclareço que o exemplo dado por este professor é uma das forças que me guiam.

Penso logo existo? Não!

Penso, logo estou, porque para ser é preciso fazer, uma vez que o homem é julgado a pelas suas obras, por aquilo que faz.Você é quem monta sua pedra filosofa!. Viva o resultado já no início do processo, porque o conhecimento é gerador de felicidade.

Portanto, crie espaço para elaborar conhecimento, para que surja o néctar, surja a energia resultante que faz de você um ser diferenciado. Esta energia, além de motivar você a caminhar mais, explica a esperança, diz que vale a pena. Ela conta segredos a você, traz segredos a você, dá a você a serenidade, que caracteriza o estado de paz.

Sentir esse prazer é importante, porque ele é a emanação do que alimenta você e a sua vida. Saiba que sempre é possível algo mais paia você aumentar a sua verdade. “Quem crê em mim faz as obras que eu faço”.

(Dr.Celso Charuri, 20 de novembro de 1981).

Obs: Dr.Celso, meu querido professor iluminado, eu acreditei no senhor e minhas obras testificam o quanto.

Estamos entrando em uma nova era: o terceiro milênio já se faz presente e trará uma série de mudanças na humanidade. Não me refiro a mudanças geológicas (que também acontecerão num tempo não tão distante), mas a um reaprendizado de conceitos por toda humanidade, que resultará na queda das antigas verdades efêmeras. Serão mudanças necessárias para que a humanidade possa adentrar as verdades absolutas.

Para esta nova era, aquele que não estiver preparado para o reaprendizado não sobreviverá. Tenha por certo, meu filho, que a argamassa da reconstrução da humanidade será o planejamento, a criatividade, a expressividade e a ação. Mais do que nunca, a tecnologia se faz presente em nosso dia-a-dia. Portanto, aquele que fechar os olhos para as novas metas e não acreditar, reaprender, planejar, criar e agir, não conseguirá conciliar talento com tecnologia. Tampouco entenderá que, para ser triunfante na vida, há de se ter fé e esperança, força de vontade e energia, dedicação e firmeza de propósito para o novo milênio.

Os tempos estão mudando e você precisa mudar também. Abrir seus horizontes, pensar grande, sonhar grandes sonhos e se empenhar em grandes esforços. Acaso você já ouviu falar de Alexandre, o Pequeno? Claro que não, ouviu falar foi de Alexandre, o Grande! Certa vez alguém disse que grandes mentes discutem idéias; mentes medianas discutem eventos e fatos; e mentes pequenas discutem pessoas.

E eu digo que grandes almas põem em prática as idéias que têm; almas medianas planejam praticar os eventos e repetir fatos; e almas pequenas invejam as pessoas que já puseram suas próprias idéias em prática.

Muito perde quem perdeu dinheiro. Mas isso se remedia. Muito mais perde quem perdeu um amigo. Mas o tempo sempre traz a reconciliação. Entretanto, tudo se perde quando se abandona a fé. É aí que a coisa se complica muito! Existem muitas formas de se afastar da fé verdadeira. Uma delas é viver na fé cega e. ficar defendendo uma verdade efêmera ao invés de viver na verdade absoluta. Veja o exemplo de um homem que diz ter fé, mas se refugia na ilusão da cachaça, da maconha e de outras drogas: Onde está a fé que ele diz possuir? Não há! Onde está “sua espiritualidade e fé, quando ele se anestesia fugindo da força, quando pita maconha na ilusão de que está apenas consagrando santa maria? Também não há!

Não adianta ficar falando aos outros que você é um homem de fé, meu filho! Somente suas ações e obras irão atestar sua fé. Onde está a razão científica, a espiritualidade e a fé das pessoas que muitas vezes conquistaram um diploma de faculdade, às vezes ostentam o título de doutoras, mas chamam drogas de psicoativo, tentando criar a ilusão de que a ayahuasca e as drogas estão no mesmo patamar? Elas desprezam, inclusive, que a ciência que provou que a ayahuasca não se enquadra nas drogas e a liberou no Brasil e em vários outros países é a mesma ciência que demonstrou cientificamente que a maconha é uma droga viciante, perigosa e responsável por lesões no cérebro humano com apenas um ano de uso.

Onde está a razão científica, a espiritualidade e a fé desses doutores que se dizem científicos, mas desprezam as próprias comprovações científicas, apenas porque desejam, irresponsavelmente, a liberação da maconha? Nem ao menos levam em conta os danos que causarão nos filhos desta nação! Não há razão científica nesses pseudodoutores, pois eles desprezam as constatações da ciência, que é impessoal, permanecendo no “achismo”, que é totalmente pessoal. Não há espiritualidade nesses doutores que não se importam com as conseqüências do “achismo” dissimulado que pregam. Acham-se grandes por ostentarem diplomas e títulos, os quais qualquer pessoa comum pode ter se conseguir simplesmente pagar uma faculdade. Mas se dizendo científicos desprezam as comprovações científicas sobre as drogas como a maconha, quando o vício que os domina está em jogo.

É claro que ter ensino superior é de vital importância para a formação de uma mente cientificamente esclarecida em fatos e não em “achismo” e conveniências. Tanto sei disso que custeio a faculdade para um grande número de pessoas que não tiveram pais que pudessem arcar com essa despesa para o bem da formação de seus filhos. Minhas palavras de agora sobre esses doutorandos do “achismo” que incentivam uso das drogas foram pesadas, mas são verdadeiras e tenho as pesquisas científicas mais recentes sobre as drogas e a maconha, que confirmam tudo que digo. Mas, para você que ainda não está bem certo do que é a maconha, reflita agora: ayahuasca eu indico aos meus filhos; Deus eu indico aos meus filhos. Mas maconha e cocaína você indicaria aos seus filhos?

Nós vivemos em uma comunidade e isto nos impõe algumas responsabilidades que vão além do livre arbítrio. Como se comportar ao ver as atitudes erradas e até destrutivas de algumas pessoas? Você deve repreendê-las ou se calar? Se decidir repreender, estará julgando? Então como agir, como se comportar diante de uma situação dessas?

Preste bem atenção, meu filho: o simples fato de você viver em uma sociedade já demonstra que você deve trabalhar pela felicidade e pelo êxito de todos, pois felicidade só existe no âmbito coletivo, e nunca no individual.

As atitudes de um indivíduo ou de um grupo podem, às vezes, ser muito nefastas e prejudiciais para toda a sociedade! Não é proibido ver o mal quando ele existe. Contudo, às vezes esse mal prejudicará apenas seu malfeitor. Mas e, em outros casos, quando o mal observado atingirá outras pessoas e não apenas o seu malfeitor? Esta questão é muito delicada e precisamos recorrer à caridade bem compreendida. Primeiro, esteja certo de que sua intenção não é apenas denegrir, pois isso é coisa que não provém da luz. Depois, veja se o mal observado afeta somente o seu malfeitor. Pois, se for este o caso, não haverá necessidade alguma de tornar o fato público, pois isso resultaria somente em desmérito e desabono.Agora, se o mal observado pode se estender à sociedade, afetando inclusive pessoas inocentes e ingênuas, não seja omisso e tome uma atitude. É sábio optar pelo sacrifício de um homem para poupar o sacrifício de uma casa. É sábio optar pelo sacrifício de uma casa para poupar o sacrifício de um bairro inteiro. É sábio optar pelo sacrifício de um bairro para poupar o sacrifício de toda a aldeia. E optar pelo sacrifício de uma aldeia para poupar o sacrifício de uma nação. As necessidades de muitos suplantam as necessidades de um.

Conforme a circunstância, desmascarar a hipocrisia e a mentira pode ser um dever. É melhor que um homem ou um só grupo caia, do que muitos outros homens e grupos serem enganados e tornarem-se vítimas ou prisioneiros desse mal. Quero lembrar que nas leis espirituais não existe a omissão, existe apenas a conivência. Aquele que viu o mal e nada fez contra ele foi conivente com o mal. Porque, na pior das hipóteses, era possível ao menos alertar os outros.

Como bem sabem, eu e minha amada esposa Genecilda (já falecida), sempre combatemos, com muita avidez e força, o uso das drogas principalmente dentro dos rituais do SANTO DAIME, como no caso do Cefluris, fundado pelo padrinho Sebastião Mota de MeIo e deixado aos cuidados de seu filho Alfredo Gregório. Graças aos rituais xamânicos sérios, com ayahuasca ou daime, em dois anos apenas, aqui no Céu Nossa Senhora da Conceição (CNSC) foram recuperados por completo, aproximadamente, mais de 7.500 dependentes químicos.

Quando comecei minha jornada dentro do daime, percebi que as igrejas do SANTO DAIME vindas do padrinho Sebastião de Mota Melo, conhecidas como Centro Eclético da Fluente Luz Universal Raimundo Irineu Serra, ou simplesmente Cefluris, eram o falso SANTO DAIME, pois usavam muitas drogas nos trabalhos de daime. Principalmente quando fabricavam o daime, que é a ayahuasca, eles pitavam muita maconha o dia inteiro e às vezes até usavam outras drogas. Isso realmente me chateou. Eu vi isso acontecer e muitas pessoas, que já foram do Cefluris e hoje pertencem CNSC, também viram.

Por outro lado, foi, muito bom testemunhar tais insanidades cometidas por aqueles lesados pela maconha, pois isto esclareceu o motivo da presença de tanta gente de curta compreensão, tanta gente em crise familiar e financeira, tanta gente desempregada, pessoas rudes e mal educadas, pessoas casadas três, quatro vezes e ainda vivendo mal em casa, tanta gente se achando cheia de sabedoria, se julgando um exemplo de vida.

Certa vez, no Céu de Maria, eu vi um homem de uns 45 anos, vestindo um terno branco, pitando um charuto de maconha e dizendo com muita pose a um grupo de adolescentes iniciantes: “Olhem que absurdo, dizem que a santa maria faz mal. Olhem para mim, eu pito há 15 anos e vejam como estou bem!” Este homem tentava passar uma imagem de grandeza para aqueles jovens principiantes. Ele fazia até as poses dos atores das propagandas de cigarro na TV. Tentava mesmo passar uma imagem de grandeza e perfeição. Pouco tempo depois fiquei sabendo que aquele homem pomposo, na vida real, estava com a água e a luz cortada por falta de pagamento. Acho que já por isso ele se drogava tanto. Pois, drogadas, as pessoas se iludem, pensam que são grandes, caridosos e um exemplo de vida, esquecendo por algumas horas a merda em que vivem. Se o leitor acha que estou sendo radical, eu lhe pergunto com clareza: você já observou de perto as pessoas viciadas em drogas há mais de dois anos, o exemplo de vida que elas dão, como agem e como se comportam? Então, gostaria que seu filho fosse como elas?

Conheci um homem que falava fluentemente três idiomas e sempre se vangloriava dizendo ser um velho espírito, possuidor de grande sabedoria, detentor dos mais vastos conhecimentos. Inquiri um pouco o tal homem, com muita sutileza, e ele foi soltando a língua. O dito espírito velho e sábio tem é um péssimo testemunho de vida e vive na mais pura cegueira do ego. Mora de favor em uma pequena casa de fundos e está desempregado a oito anos. É cheio de tudo saber, de tudo conhecer, mas na prática é uma sanguessuga que não tem ânimo sequer para vender cachorro-quente. Sua família sobrevive do salário que a esposa ganha e da caridade alheia, que ajuda os filhos que ele tem. Gente assim termina sozinha, abandonada inclusive pelos filhos. Também conheci um outro rapaz apenas pela Internet, que vive num ego enorme, se achando grande. Segue os mesmos passos profanos do padrinho Sebastião e através da Internet incentiva mesmo as pessoas a usarem drogas. Mas que só sobrevive queimando o que resta da herança deixada pelo avô, já que é apenas um viciado e nem trabalhar sabe.

Fiquei estarrecido ao ver justamente padrinhos, madrinhas e fiscais, pitando maconha com o nome de santa maria. Algumas vezes, eu mesmo cheguei a observar pessoas usando também a cocaína, a qual eles chamam de santa clara. Alguns, inclusive, punham a cocaína na maconha para deixar o pito mais forte. Essas pessoas nem sequer conhecem a diferença marcante entre plantas medicinais, plantas de poder e plantas de poder professoras. Mas também, pelo que percebi, a maioria delas não está em busca de verdades. Elas apenas encontraram, nas mentiras ilusórias do padrinho Sebastião Mota de melo e no Cefluris, uma desculpa para se manterem no mundo da ilusão das drogas e dos vícios.

Deixo aqui registrado que em diversos rituais do SANTO DAIME do Cefluris, presenciei jovens menores de idade se drogando muito. De manhã cedinho, dando carona a alguns deles, percebi que eles já estavam em depressão. Entristecido, eu pensava: “Será que os pais desses menores sabem que eles passaram a noite toda se drogando?”

Eu gostaria muito que o padrinho Alfredo Gregório, filho do padrinho Sebastião, fundador do Cefluris, me mostrasse onde na Constituição está escrito que é permitido pitar maconha com daime!? Será que vocês, Alfredo e padrinhos do Cefluris sabem de fato o grande mal que estão causando a tantas pessoas, quando as deixam viciadas nas drogas, apenas porque elas seguem suas mentiras sobre a santa maria? Puxa vida, ayahuasca é libertação, faz uma conexão entre a mente e o coração. Ela é para o ser humano o que o microscópio é para a biologia. Um ritual com ayahuasca, desde que revestido de toda seriedade e respeito, resulta em crescimento espiritual e em muita disciplina. Mas a droga é uma droga! São medicamentos usados da forma errada, que vão resultar em vício e prejuízo espiritual. .

O padrinho Sebastião, fundador do Cefluris, pitava muita maconha com pasta base de cocaína, também usava cogumelo e até caiçuma tomava com o daime. Há muitos comentários dentro do SANTO DAIME que dizem que ele teria morrido por overdose de drogas. Também existem livros relatando esses pontos negros do padrinho Sebastião, que o Cefluris pratica até hoje.

Vejam o que disse a escritora Alicia Castilla no livro “SANTO DAIME – Fanatismo Lavagem Cerebral”;

SEBASTIÃO MOTA DE MELO (Padrinho Sebastião)

Falava sem parar, abordando qualquer assunto, mudando para outros, de forma caótica, porém cativante. Alguma coisa, que eu não entendia, me deixava de orelha em pé. A imagem que eu tinha de como deveriam ser os homens sábios era mais silenciosa. Imaginava que quem atingisse determinado grau de conhecimento atingiria também equilíbrio interno. Várias vezes ele me surpreendeu com afirmações a respeito da doutrina espírita que, na hora, criaram grande impacto na minha consciência. Quando mais tarde fui conferir, veio à decepção: as afirmações do padrinho não passavam de equívocos. Seu carisma e seu magnetismo eram tão intensos, que outorgavam ao maior disparate uma aura de credibilidade.Perguntava a mim mesma por que ele não ficava calado, quando não tinha certeza sobre o assunto, em vez de

jogar conversa fora.

Já naquele tempo sabia que ele pitava – fumava maconha – com muita freqüência e até algumas vezes pitei com ele. Anos mais tarde soube que os pitos que ele preferia eram os “incrementados”, ou seja, misturados com pasta-base de cocaína.

 

Outra questão polêmica era sua saúde: o padrinho vivia doente. No meu entendimento, a doença é sinal de desequilíbrio. Os hinos sustentavam a mesma idéia. Acreditava que, tomando daime, chagaria a um padrão de compreensão, onde transcenderia a doença. O padrinho tomava daime há décadas! Era esse estágio que eu poderia almejar após anos de daime, hinários, vômitos e sacrifícios?

E não era só ele: outras pessoas que chegavam da Amazônia apresentavam desequilíbrios evidentes de personalidade. Não só falavam compulsoriamente, como também comiam de forma caótica e davam palpites a respeito de tudo. Eles pareciam intuir a falta que fazia para essa turma de alternativos a figura do contador de histórias e tentavam ocupar esse espaço como quem tenta vestir um sapato três números a mais do que calça.

Assim, de mansinho, os “padrinhos” começaram o exercício do “paternalismo benevolente”, mais pela carência de figuras carismáticas no universo dos adeptos do daime do que por mérito próprio. O Alex, em seu hinário, tem um hino de louvação ao padrinho Sebastião, que diz:

“Padrinho é Bastião

Padrinho em todo lugar”.

Achei “puxa-saquismo” institucionalizado. Culto à personalidade misturado a lavagem cerebral. Na hora desse hino, eu não cantava. Perguntava-me até que ponto isso formava parte de um plano maior. Os questionamentos me torturavam cada vez mais. Enquanto o daime como elemento expansor da consciência mostrava cada vez mais que se tratava de um caminho válido, as atitudes das pessoas indicavam perigo. Perigo de se perder a autonomia do pensamento, de se robotizar, de virar embuche. As mulheres passaram a se vestir da mesma forma que as mulheres acreanas, sem levar em consideração as diferenças climáticas. Assim, com o frio de Mauá, que no inverno chega a zero grau, as mulheres do Céu da Montanha usavam saias compridas feitas de panos leves, próprias para o calor amazônico. Com os homens acontecia o mesmo fenômeno. Começaram a falar com sotaque acreano e a conjugar os verbos propositalmente de forma errada: “nós vai”, “nós planta”.

Para poder administrar sentimentos tão opostos, como a vontade de tomar daime – o que aumentava cada vez mais a expansão da consciência – e a rejeição que sentia pelas atitudes de fanatismo e descontrole, tomei uma atitude que, na hora, parecia ser a mais correta do ponto de vista ético: não teria nenhum tipo de envolvimento com as pessoas que freqüentavam os trabalhos. E mais: seria a última a chegar e a primeira a sair.

Em 1989 a rede Manchete de televisão levou ao ar um documentário gravado na Amazônia sobre o SANTO DAIME. A proposta dos realizadores do programa parecia sincera. Tentaram fazer um trabalho de esclarecimento para a opinião pública sobre essa bebida que ganhava, a cada dia, mais adeptos entre os artistas e pessoas famosas.

Um dos blocos do programa era sobre o padrinho sebastião. Ele falava com jeito esquisito: me pareceu drogado, estava por demais empolgado. De repente soltou a seguinte afirmação: “Os médicos, se quiserem aprender a curar, vão ter que vir até aqui, cagar e comer o que cagaram para depois começar seu aprendizado”.

No bloco seguinte, dona Peregrina Gomes Serra, viúva do mestre lrineu e chefe da igreja que ele fundou, afirmava de forma veemente: “O padrinho sebastião e seus seguidores são todos maconheiros”.

Nesse momento resolvi parar de cantar o hinário do Sebastião e redobrar a atenção. O que tinha começado como um pequeno grupo de bebedores de daime em Mauá, estava virando uma organização de porte nacional. O padrinho pregava a vida em comunidades e a necessidade de reavaliar os padrões de consumo. Esse discurso já tinha encantado a geração anterior, nos tempos do movimento hippie. Morar entre amigos, serem todos iguais é um sonho que a humanidade acalenta há milênios. Mas John Lennon já tinha avisado: “O sonho acabou”.

Beber a ayauhasca com freqüência leva a atenção para os mundos internos, desestimula a luta na realidade externa. Assisti com preocupação à transformação do céu do Mapiá (comunidade daimista na floresta amazônica) numa espécie “Meca alucinógena”. Muitos iam e não voltavam. Os poucos que retomavam, às vezes traziam informações preocupantes. Em janeiro de 1990 morre o padrinho sebastião. Outro líder da mesma geração, Bagwam Shree Rajneesh, que também trabalhou pela expansão da consciência, porém conseguida através das práticas já citadas, como meditação, repetição de sons e movimentos ritmados, desencarnou no mesmo dia. Para muitas pessoas a perda foi dupla. Ele também tinha pregado a vida em comunidades e o abandono do mundo da ilusão. A principal diferença residia no fato de Rajneesh ter acumulado uma enorme fortuna.

Em respeito à verdade devo afirmar que, apesar de ter-se envolvido diversas vezes com a policia, em questões que nunca foram devidamente esclarecidas, de ter contribuído e apoiado o trabalho de lavagem cerebral que muitos adeptos sofreram e de ter incentivado o uso de outras substâncias junto com a ayauhasca, sebastião mota manteve as rédeas da seita. Os piores exageros foram cometidos j1rlos seus seguidores, ap.ós sua morte.

Os “pastores alucinógenos” que o sucederam criaram também o mito do padrinho sebastião, atribuindo-lhe uma condição de messias. Esse objetivo aparece bem evidente no livro de Alex Polari O Guia da Floresta. A partir de 1992, observei nas igrejas daimistas das cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo a ascensão do sebastião mota de meIo à condição de “homem santo”. Seu retrato, vendido aos fieis, que o colocam num ponto nobre da sua residência, faz lembrar a tradição do padrinho Cícero em Juazeiro do Norte.

Na tradição xamânica não existe o conceito de padrinho. Existe o de mestre e o de aprendiz. Quem quiser se tornar um xamã deverá aprender com alguém, e para isto é preciso, primeiro, resolver sua própria história, trabalhar sua própria cura. Chegando lá, começa a andar sobre seus próprios pés. O novo xamã tem por seu mestre respeito e consideração. A condição de padrinho imposta no Cefluris é sinônimo de dependência psicológica, Os integrantes da seita pedem a bênção, beijando a mão dos padrinhos.

Quem atinge o grau de padrinho fica acima do bem e do mal. Não pode ser questionado nem criticado. Desta forma, cometem-se os mais variados tipos de abusos e atropelos para com os apadrinhados, e estes, aceitando, demonstram assim sua submissão à doutrina. O crescimento das seitas já cria preocupação em outros países. As lideranças sectárias são, sem dúvida alguma, mais perigosas que as ideológicas ou políticas.

O padrinho sebastião conheceu o daime através do mestre lrineu, na cidade de Rio Branco. Após a morte do mestre, em 1971, houve diversas brigas entre os seguidores por causa da liderança. A igreja naquela época funcionava com o nome de Ceflu (Centro Eclético Fluente da Luz Universal). Como conseqüência das brigas do mota – assim ele é chamado em Rio Branco – com outras pessoas que disputavam a liderança, ele se retirou, seguido por um grupo, e instalou-se num local próximo à cidade, cujos terrenos valiam cinco mil cruzeiros cada um. Daí a origem do nome “Colônia 5000”, primeira comunidade que sediou à igreja fundada por ele, registrada com o nome de Cefluris (Centro Eclético Fluente da Luz Universal Raimundo Irineu Serra). .

De acordo com o que a viúva do mestre Irineu manifestou no programa levado ao ar pela rede Manchete de televisão, assim como a versão dada por muitos outros daimistas, o que motivou o racha propiciado pelo mota foi a inclusão da maconha nos rituais, como planta sagrada, sob o nome de santa maria e a pasta-base de cocaína, denominada “mescla”. ‘”

Em Rio Branco, conheci contemporâneos do mestre. Irineu e, portanto, do sebastião mota de meIo. Apesar de haver enormes desavenças entre todos eles, há um ponto em comum: todos têm histórias a contar sobre as vezes que ele foi preso por causa de drogas e outras questões de moral duvidosa.

Essas pessoas, em Rio Branco, me perguntavam se é verdade que no sul do país o mota é chamado de padrinho ou se era algo que acontecia só nos livros de Alex Polari. Ante a minha confirmação, eles manifestavam espanto. A Colônia 5000 é considerada, naquela cidade, como um “buraco negro”, a vergonha da cultura dai mista”.

Durante o tempo que fiquei em Rio Branco fui continuamente procurada por pessoas das mais diversas origens, que por motivos também diversos fizeram questão de me relatar fatos gravíssimos acontecidos no âmbito do Cefluris.

Embora não fosse minha intenção checar a veracidade desses depoimentos, todos eles apresentavam coerência e semelhança com casos que eu já conhecia. O sebastião mota de melo morreu na véspera do dia de São Sebastião no ano de 1990, enquanto era cantado o hinário dele na igreja de Pedra de Guaratiba, no Rio de Janeiro, fundada pelo seu seguidor de doutrina e drogas Marcos Imperial. Naquele tempo, motivada por questões éticas, eu não participava dos trabalhos nos quais se cantava o hinário dele ou o do Alex Polari, porque me recusava a aceitar os assuntos referidos a “se humilhar”, “aceitar os castigos de Deus” e outros semelhantes.

Na data mencionada -19 de janeiro de 1990 – o filho do mota, alfredo Gregório (atual presidente do cefluris e conhecido como padrinho alfredo), encontrava-se em Mauá para comandar uma série de trabalhos. Devido ao fato de ele ser uma pessoa carismática, com talento musical e conhecimento de “comando” dos trabalhos, resolvi abrir uma exceção. Compareci ao evento junto com minha filha.

Quando o trabalho estava no fim, exatamente no último hino, chegou um carro procedente do Rio de Janeiro trazendo a noticia da morte do padrinho. A Verônica ouviu Alex dizer ao Alfredo: “O velho fez a passagem”. Segundo ela, alfredo girou sobre si mesmo dizendo: “O marcos imperial (chefe da igreja de Pedra de Guaratiba) vai ter que explicar essa história”. .

Nos dias seguintes, movida por curiosidade, perguntei a várias pessoas qual foi a causa mortis do padrinho. Dava para perceber certo mal-estar por causa da pergunta. A resposta foi infarto fulminante, quando estava no banheiro, e, segundo as mesmas fontes, ele teria morrido se segurando no porta-toalhas.

(Extraído do livro SANTO DAIME – Fanatismo e Lavagem Cerebral, Cap.8 pág. 111, de Alicia Castilla)

É importante salientar que a Alicia Castilla é ferrenha defensora da maconha. (contudo, os registros deixados por ela nesse livro sobre o padrinho sebastião mota de meIo e o Cefluris é que são importantes, pois provam que eles sempre disseminaram o vício das drogas, conforme afirmo hoje. Agora, imaginem só o tamanho da hipocrisia do SANTO DAIME do Cefluris e seus integrantes quando negam a todos o fato de que lá eles se drogam?

Compartilhar

Veja Também

TRAGÉDIA POR MEMBRO DA SEITA “SANTO DAIME” – Jornal A Gazeta

TRAGÉDIA POR MEMBRO DA SEITA “SANTO DAIME” Data: 07 de Janeiro de 2004 às 16:47:31 …