Capítulo II – A viagem ao Acre

Desde quando comecei a escrever esse livro, narrar os fatos acontecidos por anos. e que claramente demonstram a mácula dentro do SANTO DAIME que tem sido o Cefluris e a traição do padrinho Sebastião contra o mestre Irineu, que percebi em, minhas reflexões diárias a necessidade de expor depoimentos de pessoas que viveram por anos com o mestre no Alto Santo, a instituição fundada por ele em Rio Branco, no Acre. Eu era muito menino quando o mestre Irineu fez a passagem, ou seja, quando ele faleceu. Então não tive a oportunidade de conviver fisicamente com o mestre Irineu, embora espiritualmente o conheça muito bem. Não minto, porém milhares de pessoas que nunca sequer ouviram falar de mim estarão agora lendo uma denúncia aberta sobre as falsas igrejas que se dizem daimistas, mas não o são. Desse modo, decidi fazer uma viagem em março de 2007 a Rio Branco, no Acre, para buscar a história viva do SANTO DAIME, por meio de entrevistas com contemporâneos do mestre lrineu, a fim de desmascarar as fraudes, mentiras e dogmas criados pelo falso SANTO DAIME.
Senti a necessidade do aval de pessoas que conviveram com o mestre Irineu, para que nenhuma dúvida ficasse pairando no ar. A Bíblia diz que os filhos das trevas são mais astutos que os filhos da luz. Já conheço muito bem o Cefluris, ali reina o ego e a dissimulação, o povo de lá sabe mesmo mentir e fingir. Eles não perderiam a oportunidade de aproveitarem-se do fato de eu não ter convivido fisicamente com o mestre Irineu, para alegar que eu poderia estar mentindo ou enganado. Daí a importância dos depoimentos de pessoas ainda vivas, lúcidas e saudáveis, que conviveram com o mestre Irineu, confirmando tudo aquilo que venho alertando a todos há três anos.
Como chegar assim de chofre no Acre, totalmente desconhecido por lá e ainda receber o apoio dos contemporâneos e remanescentes vivos do mestre lrineu? Eu havia estado no Acre há aproximadamente um ano e meio atrás, foi quando conheci o Paulo Serra, filho adotivo do mestre Irineu. Senti grande afinidade com ele, foi fácil de perceber que se tratava de um homem sério, honesto e que detesta o tal do “diz -que diz -que” e mentiras também. Mas meu contato com ele foi de no máximo uma hora há mais de um ano e meio atrás. Difícil essa situação, mas precisava ir e, tentar!
A passagem já estava comprada para domingo e eu ia sozinho. Mas na véspera, sábado, o irmão e amigo Luis Carlos vendo o grande peso que seria essa empreitada para um homem sozinho disse: “Gideon, eu vou contigo. Essa bandeira já é de muitos, você bem sabe. Em dois fica muito mais fácil”. Fiquei muito feliz e concordei na hora. Estávamos em uma semana xamânica aqui no Céu N. Sra. Conceição, domingo ainda teria um exercício lindo dentro das matas. Mas o Luis Carlos junto com esposa e família seguiu no sábado mesmo para garantir a compra da passagem aérea. Abençoados os homens de boas vontades!
Domingo à noite, já no aeroporto de Congonhas em São Paulo, nos encontramos e já estávamos na fila para o check-in e rindo muito nós dois comentávamos: “Na lista da Internet eu disse que ia fazer o possível para gravar uma reportagem com um pessoal de muito peso para beneficiar o livro que está quase terminado. Mas acho que quase ninguém imagina que estamos pegando um avião para o Acre”, e ríamos ainda mais. Doce ilusão! Acho que devido a descontração com que ríamos a TV Bandeirantes, que estava em reportagem no aeroporto, nos filmou com destaque. Aparecemos nas TVs do Estado todo pelo menos. Choveram telefonemas na fazenda (do Céu Nossa Senhora da Conceição) com o pessoal perguntando: a entrevista é fora de São Paulo?
Já no avião eu comentei com o Luis Carlos que essa nossa batalha agora seria uma batalha de fé. Que iríamos chegar com a cara e a coragem. Que pediríamos coisas difíceis a pessoas que nunca nos viram e que já estavam escaldados com falsas promessas de escritores que disseram uma coisa e fizeram o oposto do que haviam dito. “O que temos nessa empreitada de agora é a nossa fé. O que estamos fazendo, não fazemos para proveito próprio, só queremos limpar o bom nome do mestre Irineu que o sebastião e o Cefluris sujaram muito. Esse livro só tem dado despesa e trabalho, mas a clareza que ele vai levar às pessoas fará tudo valer a pena. Sei que voltaremos com a vitória em nossas mãos. O astral superior certamente já tomou as providências necessárias e nós é que ainda não estamos vendo isso”, disse ao meu amigo.
Na segunda-feira logo cedo pegamos um táxi e fomos ver se achávamos a casa do Paulo Serra, porque nem o endereço eu tinha. Mas foi fácil encontrar. Batemos palma e a esposa dele veio nos atender. Eu a reconheci de imediato. Perguntei se de estava e ela disse que havia ido até a cidade, porém logo retomava. “E quem são os senhores?”, ela perguntou. “Não se lembra de mim, mas eu me lembro bem da senhora, que é a D. Altina, esposa do seu Paulo. Sou aquele moço de São Paulo que esteve aqui conversando com o seu Paulo há um ano e meio atrás, só que eu estava de barba e cabelo comprido”, me apresentei. “Ah, agora me lembro sim, é o Emilio (era assim que eles me chamavam no Acre desde a primeira vez que estive lá). Ó seu Emilio, vamos entrar, o Paulo não demora chegar. Mas ele comentou que o senhor estava pra aparecer por aqui”, acrescentou. “Comentou isto, D. Altina?”. Perguntei muito feliz porque isso já era evidente ser movimento vindo do astral superior, que já havia preparado tudo para a nossa chegada.
D. Altina respondeu: “Ele me contou que andou mirando com o senhor uns trabalhos de daime atrás. Até me avisou, aquele homem de São ‘Paulo está chegando por aí. Eu até perguntei pra ele: Paulo, mas qual é a sua história sua com esse homem? Ele respondeu: Eu não sei ao certo, mas sei que teremos uma história juntos.
Eu e Luis Carlos ríamos muito, porque estávamos presenciando mais uma vez a misericórdia do GRANDE ESPÍRITO, que preparara todo o caminho antes mesmo de iniciarmos a caminhada. Em pouco tempo chegou o Paulo Serra. Tomamos um suco delicioso de cupuaçu, feito pela D. Altina, e começamos a conversar. Expliquei a ele o que viemos fazer ali e que eu contava com ele. Paulo respondeu na hora: “Emilio, tive duas mirações com você. A primeira num trabalho de daime eu mirava, quando vi você na minha frente e disse: você aqui? Como anda você? E na minha miração você respondeu: Estou aqui e sempre ando na sinceridade. Depois você sumiu. Numa segunda vez em outro trabalho de daime, recentemente, mirei que você estava chegando aqui em casa, então olhei melhor e vi que haviam chegado dois. Até avisei pra minha patroa que você estava chegando por aí. Emilio, pode contar comigo. Ajudarei em tudo que puder”, disse Paulo Serra.
Era evidente o dedinho do mestre Irineu e todas as hostes da LUZ conosco nessa empreitada. Como é bom ser sincero, como é bom ser da LUZ!
À tarde, já em um carro alugado, Paulo nos levou para, conhecer um amigo dele que mora próximo a algumas igrejinhas do daime. Lá há muitas. Aconteceu algo no caminho que marcou definitivamente essa viagem. Foi lindo. Paramos o carro exatamente em frente à uma igrejinha do daime. Da estrada dava para ver o interior do local. Era simples, mas muito bonita. Foi quando uma borboleta toda branquinha com pequenos traços verdes só na borda de suas asas entrou dentro do carro, voou em volta de todos nós e saiu. Ficou voando do lado de fora a uns 5 metros à nossa frente, então voou de volta para dentro do carro pela segunda vez. Voou ao nosso redor mais uma vez e tornou a sair, ficando bailando a uns cinco metros em nossa frente de novo. Então pela terceira vez ela voou para dentro do carro novamente passando em frente ao rosto de cada um de nós e saiu continuando a bailar voando na mesma distância que antes. Todos nós sorríamos muito, entramos em êxtase. Perguntei ao Paulo Serra: “O senhor sabe o que significa isso?” E ele também rindo muito respondeu: “É claro que sei Emilio, é claro que sei!” Pela quarta vez, ela retomou para dentro do carro, voou entre nós novamente e saiu. Mas desta vez ela foi para dentro da igrejinha do lado onde estávamos parados, voou várias vezes em volta do cruzeiro que estava no altar dessa igreja e então pela quinta vez, voou de volta para dentro de nosso carro, mas, dessa vez pousou sobre o coração do Paulo Serra, permaneceu ali um pouquinho, voou para fora e foi embora entrando na mata. E ele, emocionado também, disse: “É o mestre dando sinais”. Em pensamentos e em êxtase eu dizia para mim mesmo: Como DEUS é fiel.
Conversando com inúmeras pessoas de Rio Branco, percebi a enorme mágoa que eles haviam no coração, pelo que o Cefluris fez ao SANTO DAIME de LUZ, pelo que o padrinho Sebastião fez com o bom nome do mestre Irineu. Muitos deles me contaram que no passado devido as drogas que usavam e as besteiras grossas que fizeram o padrinho Sebastião e o CEFLURIS, a Polícia Federal deu batidas até no Alto Santo, porque como o padrinho sebastião se intitulava sucessor do mestre Irineu, a Polícia Federal achou que o cefluris era só uma filial do Alto Santo; E que o padrinho sebastião só fazia aquilo que aprendera com o mestre Irineu!
Até a Polícia Federal entender que o Alto Santo nada tinha a ver com o CEFURIS ou com o padrinho sebastião, o Alto Santo passou, por grande constrangimento. A madrinha Peregrina Gomes Serra, viúva do mestre, coitada, foi certamente quem mais sofreu com tudo isso. Ver a obra de LUZ que seu esposo Irineu fundou, ser vista como seita de drogados e vagabundos pela Polícia Federal e por muitos da população local, graças apenas a insanidade do uso das drogas que o padrinho sebastião promovia na Colônia 5000, junto com os hippies, que ele agrupou. Que mulher forte a madrinha Peregrina precisou ser!
Que grande sofrimento e injustiça o sebastião mota e o Cefluris que ele fundou, causaram a tanta gente que só fez praticar a caridade. Conhecemos, vários contemporâneos do mestre Irineu. Todos eles nos receberam com carinho; Quando souberam do intuito de nossa visita, não hesitaram nem um minuto que fosse para dizer “sim”. Foram 10 pessoas que procuramos, apenas duas pessoas me disseram que não queriam dar entrevistas e ainda tiveram a boa vontade de nos explicar suas razões. Entendemos perfeitamente a posição deles e os respeitamos.
O Juarez Martins Xavier, homem plenamente lúcido em seus 83 anos de idade e contemporâneo do mestre lrineu, me disse: “Na época eu mandei avisar ao sebastião mota que não ficasse pondo estas coisas com o daime, porque isso ia trazer desgraça. Ele não quis me ouvir. Não passou muito tempo e a desgraça aconteceu. Bem que eu avisei. Eles castraram e mataram um homem lá. Era um tal de Ceará que se dizia pai-de-santo e que também punha porcarias com o daime. É que o pessoal da Colônia 5.000, que o Sebastião fundou, descobriu que o Ceará dizendo que ia fazer curas com as mulheres do outros, servia um daimezinho, levava elas de canto e “sexo”. Os homens todos ficaram muito bravos quando ficaram sabendo do que realmente acontecia. Daí seguraram o Ceará e estirparam-Ihe de uma só vez toda a sua genitália. Castraram e mataram o Ceará que se dizia pai-de-santo. Eu tinha avisado ao Sebastião, mas ele queria ser grande e não escutava ninguém. Aconteceram outras desgraças também, não foi só esse caso do Ceará não”, encerrou os dizeres com um ar chateado.
A filmadora digital que levei apresentou problemas. Então, eu e o Luis Carlos, contratamos os serviços de um cameraman amador, um moço de 40 anos, chamado Renildo Monteiro. Quão grande foi a surpresa que tivemos com ele! Renildo já havia assistido a vários testemunhos conosco enquanto filmava as entrevistas quando em um certo momento, com a cabeça baixa, disse pra mim e para o meu amigo: “Eu acho que tenho algo para falar também. Esse livro que o senhor está escrevendo vai ajudar muita gente, vejo isso. Então acho que não vou ficar calado, não.” Perguntei a ele do que ele estava falando e ele respondeu: “É que eu nasci, cresci e sempre vivi aqui em Rio Branco, no Acre, sei de algumas coisas sobre essa colônia 5000. Todo mundo aqui sabe também. Mas mesmo aqui em Rio Branco muita gente acha que os daimistas são todos drogados. Eles pensam que o Céu do Mapiá, a Colônia 5000 e o Alto Santo são todos o mesmo SANTO DAIME, tudo uma coisa só. Esse livro vai ajudar muita gente a saber da verdade. Eu também quero contribuir. O velório do Ceará foi na frente da casa onde eu morava, quando criança, e dos 15 aos 16 anos estive no terrível mundo das drogas, mas consegui sair dele. Um amigo meu nesta época foi morar na Colônia 5000 e me contou que as drogas lá eram servidas na cuia, depois do daime havia uma rodada de baseado que vinha na cuia”, relatou Renildo Monteiro, em depoimento gravado. Muitos depoimentos, colhidos em Rio Branco e que aparecem na forma de entrevista, estarão disposição ao longo desse livro.

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