HISTÓRIA VIVA DO SANTO DAIME – Contemporâneos do Mestre Irineu – testemunho Família Carioca

HISTÓRIA VIVA DO SANTO DAIME

Contemporâneos do Mestre Irineu

Entrevista – Março 2007

Família Carioca

Conviveram estreitamente com mestre Raimundo lrineu Serra

Júlio Carioca Filho

Data de nascimento: 24/9/1956

Maria de Lourdes Carioca

Data de nascimento: 16/2/1936

Jane Maria da Silva Carioca

Data de nascimento: 3/4/1959

 

Gideon dos Lakotas:

O que trouxe a senhora ao mestre lrineu?

 

Maria de Lourdes Carioca:

Eu estava muito doente, com apêndice aguda, estava dias em repouso e estava tudo certo que eu devia me operar. E aí fui até o mestre Irineu, ainda nem tinha sede, era na casa dele o trabalho, e ele deu o daime para umas 30 pessoas. Nós não conversamos nada sobre o que eu sentia. Tomei o daime, todos começaram a mirar e eu também. E na minha miração eu vi um hospital e aí fiquei curada. E eu não falei nada para ele.

 

Gideon dos Lakotas:

A senhora sabe se o mestre lrineu usava alguma droga?

Maria de Lourdes Carioca: Ele nunca fez isso. A gente não ouvia nem falar disso, de droga, maconha, nada, de 1975 para cá no Acre que começou com isso. E ficamos sabendo que estavam dando maconha até para criança.

 

Gideon dos Lakotas:

Vocês que conviveram com o mestre Irineu acreditam que existe algum sucessor dele?

 

Maria de Lourdes Carioca:

Não existe sucessor dele porque ele era um homem puro, do natural. Ele era e é da natureza. Ele sempre falava que era para nós nos reunirmos e trabalharmos que ele estaria com a gente. E ele disse que seria difícil conseguir chegar no daime verdadeiro. E que aqueles que aprenderam a fazer daime com ele deveriam reunir os outros no seu próprio quintal e fazer da forma que ele ensinou porque ia ficar muito difícil chegar ao daime puro e verdadeiro como ele deixou.

 

Gideon dos Lakotas:

As pessoas comentam que o Sebastião Mota de Meio almejava ser mestre?

 

Jane Carioca:

Até o tempo que ele estava por aqui nós não sabíamos disso.

 

Júlio Carioca:

Quando soubemos que ele tinha ido embora daqui já estava com um centro bem formado lá no Mapiá, bem adiantado. E ele já andava como padrinho Sebastião Mota.

 

Jane Carioca:

Ele levou alguns componentes para lá, alguns que eram amigos do mestre.

 

Júlio Carioca:

Ele levou os componentes que visavam lucro.

 

Jane Carioca:

Não sei bem se era isso, porque logo que ele foi pra lá não tinha “santa maria” (maconha). Só depois de uns dois, três anos é que a gente ficou sabendo que ele tinha adotado a “santa maria”, através de uma visão que ele teve. E por esse motivo nós fomos até agredidos aqui pela Polícia Federal.

 

Júlio Carioca:

A madrinha Peregrina ainda sente seqüelas disso tudo, por isso ela sempre se fecha quando têm qualquer documentário, essas coisas.

 

Jane Carioca:

Você não vê um livro que fale do daime que tenha a nossa imagem, todos têm a imagem passada pelo Mapiá, por isso ela (madrinha Peregrina) nos preserva.

 

Dinheiro e drogas

 

Jane Carioca:

O mestre Irineu nunca deu valor a dinheiro. Ele preferia recusar qualquer coisa dessa natureza. O foco dele era servir à humanidade.

 

Júlio Carioca:

A gente já viu várias pessoas que vêm do Mapiá pedir ajuda para tentar ficarem boas.

 

Gideon dos Lakotas:

O que vocês acham que o mestre Irineu falaria sobre tudo isso?

 

Jane Carioca:

Ele iria ficar na dele, calado, vendo o que queríamos.

 

Júlio Carioca:

Estávamos vendo hoje o que ele avisou que ia acontecer. Jane Carioca: O mestre Irineu na verdade é o poder.

 

Júlio Carioca:

Nunca existiu droga com o mestre Irineu e nem deve existir com quem quer seguir ele. (…) E o Sebastião Mota vai tentar infiltrar as drogas no mundo com o daime por trás. E dou esse depoimento colaborando para isso não acontecer. (…) Para quem conserva essa doutrina descarte Sebastião Mota. Isso é uma coisa que existe na colônia inteira. O que o mestre Irineu deixou para nós cultivar foi a doutrina. E o Sebastião Mota já foi e deixou semente de que? Do mal. A semente que ele deixou no mundo foi do mal. E infelizmente os filhos dele acham que isso está servindo não sei para quê. Agora querer usar o nome do mestre Irineu?

 

Gideon dos Lakotas:

E Cefluris é Centro da Fluente Luz Universal Raimundo Irineu Serra, vocês acham isso justo?

 

Jane Carioca:

Não, foi um pecado. (…) Ele nunca veio aqui combinar nada aqui com a madrinha Peregrina falando que ia usar o nome do mestre nos trabalhos. (…) E os nossos trabalhos aqui são como o mestre deixou, não existe incorporação ou desincorporação. É tudo bonito, usando as frases que ele deixou, todo mundo sai mais feliz, melhor do que chegou. Mas é puro porque tomou só água, chá e daime, lúcido, nem cigarro a madrinha fuma mais. E ela não pede nada, é a comunidade que colabora.

Júlio Carioca: Até que ponto vai o pessoal do Sebastião Mota, até onde a justiça vai ser cega? Vamos ter que acabar com isso, não podemos deixar isso ir para frente.

Jane Carioca: Eu acho que o que aconteceu com essa mistura venenosa no cérebro da pessoa foi essa falta de pudor, falta de amor dentro dos seres humanos. O daime é o centro, é o divino, é o poder. Isso vai tirar o amor próprio das pessoas, o amor ao próximo, à natureza. De 1975 pra cá é morte, é guerra. Onde estava o daime puro era tudo calmo até 1975, de 1975 pra cá isso veio tudo, veio a mistura da cocaína com a maconha, com incorporação, e nada disso tinha antes. Nada dessa mentira.

 

Gideon dos Lakotas:

Houve até um assassinato, uma castração do Ceará aqui, não foi?

 

Jane Carioca:

Foi uma castração do curador, o Ceará. É que com as mulheres durante o ato da cura aconteceram outras coisas e os maridos se juntaram e fizeram um trabalho ali. Mas tudo isso veio depois da maconha, das drogas. E ele (mestre Irineu) avisou para a gente antes de ir que iria ter muita coisa feia.

 

Mensagem

Júlio Carioca:

É para a pessoa que quiser conhecer o que é a doutrina procurar sempre o verdadeiro, não deixar se levar por ilusões. Drogas jamais. Esse negócio do Cefluris com drogas, isso não existe, essas são palavras de pessoas que conheceram o daime verdadeiro. Um conselho que dou e até peço a vocês: para conhecer essa doutrina procurem conhecer pessoas que conheceram essa doutrina de verdade, que conheceram e conviveram com o mestre Irineu. E essas são palavras de quem conheceu o mestre Irineu e o Sebastião Mota.

 

Maria de Lourdes Carioca:

Meu recado é idêntico. Pra deixarem de lado o Sebastião Mota, que eles estão totalmente iludidos, para procurarem a verdade.

 

Jane Carioca:

Eu tenho dó das pessoas que misturam um poder divino com uma ilusão, que te leva a fazer o mal. O mestre Raimundo Irineu Serra com Sebastião Mota não combina nunca, é água e óleo, é luz e sombra. A verdade que eu conheço, aos meus 48 anos, é a verdade das três coisas: folha, a água e o cipó, fogo e a oração. E as palavras que vieram dele (mestre Irineu). Tenha certeza que a droga é ilusão, é tóxico. Cante os hinos que você já sabe. Quem for jovem e ler esse livro já procure a perceber que se misturar o daime com a maconha você está dentro de uma grande ilusão. Ficará sempre no plano de pessoas que não sabe qual é a verdade.

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