Testemunho de quem viveu o Falso Santo Daime

Depoimento: C. T. B.

Data de nascimento: 25/5/1961,

Natural e moradora de Curitiba, Paraná.

 

O inicio do engodo

“Eu poderia dar um testemunho longo, cheio de detalhes e nomes, porém sinto no meu coração que não é necessário, já há irmãos fazendo isso de uma maneira muito melhor. Espero, sinceramente, que meu testemunho seja útil e providencial para muitas pessoas. Faço isso para o” “Mestre” e pelo mestre lrineu, que é o responsável pelo santo daime na Terra.

É um testemunho de alerta que estou deixando para o bem da humanidade. Eu descobri o daime há uns 10 anos. Ao lado de Nova Gokula, que é a comunidade rural do movimento Hare Krishna em Pindamonhangaba (interior de I São Paulo). Apareceu um ponto de daime, na fazenda vizinha. E eu fiquei curiosa por conhecer esse trabalho espiritual com planta de poder. Fui lá conhecer.

E esse contato foi muito bom, muito especial para mim, porque havia muitos devotos que cantavam mantras, além do hinário é claro, isso me fascinou. O daime me ganhou ali naquele momento. Meu Deus, isso é espiritual!. Foi bem mágico para mim. E comecei a freqüentar, levei minhas irmãs, minhas sobrinhas, levei todo mundo para o daime. E com o tempo passamos a freqüentar outros centros. Passamos anos viajando para fazer trabalhos com daime. Ficamos fascinadas pelo daime, fizemos muitos amigos. E até chegamos a abrir um ponto, depois, uma igreja de daime em Curitiba. Eu e minha família, minhas irmãs, filhas e sobrinhas, ficamos muito unidas nessa época, realmente formamos um clã e tudo ainda era muito inocente. Porém no momento em que o movimento começou a crescer e se institucionalizar já não funcionou da mesma forma.

 

Cannabis

Quando entrei no santo daime eu já usava a cannabis por longa data, era do Tempo de comunidades alternativas. Morei no RJ onde pitava em shows, praia, teatro, era super normal, todo mundo pitava. Só tinha a perseguição da policia, é claro que eu achava um absurdo porque não liberavam logo essa planta? Nunca considerei droga, muito menos me considerava viciada, mesmo fumando todos os dias… Afinal eu era “da paz e amor”. Só fui parar de pitar quando entrei pro movimento Hare Krishna. Aprendi que era “intoxicação”, e estaria quebrando um principio espiritual se continuasse pitando, então parei por um bom tempo, até que conheci a “santa Maria” o “segredo” do santo daime. Então voltei a pitar sem culpa, agora resguardada pela “santa”.

Estava feliz da vida com meu pitinho, mas é claro que minha vida familiar e profissional estava uma droga, mas eu tinha meu “pitinho” para me consolar, e consolava mesmo, eu ficava sob um véu de um conforto ilusório. Por nada eu deixarei de pitar a minha santinha que me dava tanto conforto. Usei religiosamente todos os dias, plantei uma rocinha em casa, já que o único peso era o tráfico e todo o baixo astral disso. Mesmo assim eu comprava de traficante, pois para o meu consumo teria que ser uma roça grande, uns vasinhos não davam conta. O traficante me avisava quando tinha uma erva mais natural, não tão prensada, e eu purificava colocando no sereno, fazendo Reik, untando com mel, na verdade fIZ todo esse ritual poucas vezes, por que o que eu queria mesmo era pitar logo; Era viciada, e usava todos os dias para fazer qualquer coisa. Nas seções espirituais do daime, eu levava meus pitinhos prontos no bolso, e saia pra pitar tranqüilamente; Imagina trabalho sem pito, nem pensar! Existe trabalhos com pito dentro do ritual, antigamente era só para fardados. Então fardei.

Usávamos a “santa Maria” com o objetivo espiritual, de cura, de expansão da consciência. Essa era a idéia, porém com o uso diário…Virou vicio é claro. Tinha muitos amigos de pito. Na época achava que estava tudo bem. Só mais tarde fui perceber e viver os perigos do vicio. O que realmente está por trás desse véu de ilusão.

 

Céu do Mapiá

Fiz uma viagem de férias de um mês para conhecer o Céu do Mapiá, há uns sete anos, com minhas irmãs. Nós nos divertimos muito e foi bem melhor do que qualquer Disneylândia. Já na canoa para chegar até o Céu do Mapiá o barqueiro nos ofereceu um “pitinho”; Fomos pitando até lá e tudo foi muito divertido, uma verdadeira aventura na selva, parecia um filme de Indiana Jones multiplicado por cinco.

Chegando no Céu do Mapiá, esse barqueiro nos encaminhou para nos hospedarmos na casa dos pais dele. E eu timidamente perguntei ao barqueiro como poderia fazer para comprar a “santinha”. E ele ficou todo ressabiado e me disse que no Mapiá ninguém comprava ou vendia que não tinha comércio era por meio dos amigos que quisessem compartilhar. A partir desse dia, o pai desse barqueiro, um senhor velho e muito querido, nos dava generosamente .três “pitinhos” por dia. E, principalmente, quando havia trabalhos espirituais. Durante o trabalho, no Céu do Mapiá, mal o trabalho começava e as madrinhas, senhoras idosas, já saíam para pitar na ponta da igreja. E eu achava aquilo incrível, achava o máximo. E todo mundo pitava a torto e a direito dentro do trabalho, pessoas de todas as idades.

Em uma ocasião fomos visitar a madrinha Rita, esposa do Sebastião (Sebastião Mofa de Meio), e ela me perguntou: “tu pitas?” E eu respondi: “claro”madrinha”. E pitamos juntas, Achei incrível aquela senhora que parecia minha finada vozinha preparando um “pitinho” para nós. Na época. foi o máximo, porque tudo que eu queria era pitar com minha vó, meu pai, minha mãe. E claro que não podia. E nessa família onde estava hospedada fiquei admirada de ver essa família silenciosa que todos os dias se reunia para pitar, mãe, vó, filho, neto; eu achava que aqui!o era uma grande união. E um dia em que ainda estávamos hospedadas naquela família foi o aniversário de uma das netas do dono da casa, fizeram um bolo de aniversário bem simples, vieram os amiguinhos, cantaram parabéns, comeram bolo e as criancinhas de 7. 8, 10 anos, só criancinhas, fizeram uma rodinha e começou a rolar o”pitinho”. Aquilo me Impressionou, me chocou um pouco. E eu comentei com a avó das crianças: “isso na minha terra dá cadeia”, E ela respondeu: “minha filha, essas crianças já nasceram sob a luz da “santa Maria. Então pensei:”é santa mesmo”. Algo que criancinha pode usar, que a avó da pra neto, só pode ser do bem! Lá no Céu do Mapiá, lá na floresta, minhas irmãs se fardaram. Eu resisti porque “tenho sempre um pé atrás”‘com instituição, ainda mais que já era há 20 anos Hare Krishna. Mas meu amor pelo santo daime crescia e levei toda a minha família com convicção de que iríamos receber muitas curas emocionais, mentais, físicas e espirituais. Eu acabei me fardando um tempo depois por causa daqueles trabalhos fechados só para fardados onde se pitava santa maria abertamente. Então quis me graduar porque não queria perder por nada trabalhos de “santa Maria”. Boa parte da minha família estava no daime, menos minha mãe, que manifestava um incomodo com aquele nosso movimento. Mas a gente amava e foram anos de muita alegria, muita união, muitos amigos, muita festa e, é claro, muito pito. Eu quero esclarecer aos que lerem este testemunho que: este “conto de fadas” inicial que parece um paraíso é justamente a ilusão que a maconha nos faz vivenciar, enquanto este portal “negro”, que é a maconha, vai encravando suas garras até a pessoa acordar e às vezes já tarde sem nem saber por onde sair. Por isso atenção, todo cuidado é pouco com este portal da maconha.

 

A Desilusão ou: saída da ilusão

Estava indo tudo muito bem, de vento em popa. Até a inauguração da igreja oficial. Era uma festa só. Claro que havia alguns balanços, normais. Mas o balanço grande, ou melhor, a queda total começou no dia da inauguração da igreja, ao menos para mim.Estava tudo lindo, aconteceram 20 fardamentos, igreja lotada, crescendo rápido… Mas, dentro da sessão espiritual de inauguração minha filha mais velha, que havia passado seis meses no Céu do Mapiá e nem queria voltar, tive que implorar para ela voltasse, começou a manifestar um comportamento muito estranho. Zombando tudo e todos dentro do trabalho principalmente perseguindo a mim. Eu não podia compreender o que estava acontecendo, já que ela sempre foi uma menina tão educada e espiritualista, sua educação e base espiritual foi de primeira linha. Então, pela primeira vez na minha vida tive uma vidência clara e assustadora e vi na menina muitos seres esdrúxulos, horripilantes, sinistros, que estavam ali única e exclusivamente para zombar e destruir a festa. Estavam ali para roubar, matar e destruir. E conseguiram. Roubaram a alma e destruíram a vida dela, só não conseguiram matar porque ela tem proteção da Krishna. A minha filha ficou tomada de espíritos do mais baixo astral, ela se perdeu. E então aí começou meu filme de terror. A menina que era uma princesa do movimento Hare Krishna, com uma bagagem de dez anos de vida exclusiva para Deus, acordando todos os dias às 4h da manha para adorar o Senhor Supremo, não era mais a mesma. Ela tinha 17 anos na época e isso aconteceu em 2002.

A partir daí, foram cinco anos de lutas com as trevas. Posso dizer que naveguei pelo vale das sombras, fui conhecer o outro lado. Eu como mãe, e responsável, fui do paraíso ao inferno, sem escalas, em um piscar de olhos. Entrei em contato com outro lado que eu não conhecia. A culpa e o medo tomaram conta de mim. Só Deus para me tirar daquela situação, pois o povo do santo daime do padrinho Sebastião ficaram mudos, não.sabiam o que fazer nem dizer. Fiquei só. Tive a sensação horrenda de perder a menina como um balão que estava indo para ô espaço. Percebi que o paraíso da santa Maria era na verdade o inferno disfarçado o inimigo tirou o e se apresentou para mim cara a cara. E se mostrou o que tem por trás de toda aquela sedução…

Dentro dessa instituição, não encontrei apoio, nem recurso, nem caridade, nem cura. “A menina rodou”. Isso acontece com algumas pessoas…Que talvez tenham algum problema emocional, familiar,ou mesmo uma esquizofrenia enrustida que aflorou, ou talvez fosse muito mediúnica e “surtou”. Enfim um festival de achismo. O que me deixou realmente triste na época foi o pessoal da minha igreja me pedir educadamente é claro, para que eu não levasse mais a menina nos trabalhos, pois ela atrapalhava muito, é verdade ela aterrorizava! Sendo ela uma fardada pioneira e fundadora dessa igreja… Comecei a questionar seriamente. Como pessoas que não estão dispostas a compreender, aprender e ajudar um próprio integrante, irmão de corrente, que está “sinalizando” que algo não está certo. Qual a intenção de um grupo desses? Salvar a humanidade? Qual o real interesse? Qual o propósito? Se não tem cura nem caridade, pra não se falar de amor, com um irmão de corrente? Realmente eu não entendi. Mas, compreendi que tudo era muito superficial. Não existe nenhuma responsabilidade para com o ser humano, muito menos amor. Aquela firmeza no amor que tanto se fala nos hinos é só pra cantar bonitinho, e a prática?

Então desiludi com esse grupo, e esse santo daime do Sebastião que foi indiferente ao meu sofrimento. Compreendi que o meu problema era serio mesmo. É eu e Deus, meu irmão. Então, com toda a minha Fé me levanto e luto pela minha causa.

De lá para cá, são cinco anos de batalha com psiquiatra, psicoterapia e muitas outras coisas. Pois a menina entrou em uma confusão e depressão profundas. Não tinha mais amigos, nem condição de freqüentar a escola, de trabalhar, de fazer mais nada, a vida dela parou. E a minha também! Ela estava com alma perdida, culminando quase com um internamento em um hospital psiquiátrico. Tomava remédios tarja preta, e segundo a psiquiatra ela estava condenada a tomar os medicamentos por anos.

 

De volta à luz

Aí foi quando Deus, com sua infinita bondade, por meio de amigos muito amados e especiais discípulos do Mestre lrineu, aos quais serei eternamente

e incondicionalmente grata, me levaram em outro centro para mais uma tentativa de cura. E aí chegando lá o líder espiritual do lugar me disse para ter fé no maior curador do universo: O Mestre Jesus Cristo. Fizemos eu e minha irmã espiritual que me levou a esse lugar um trabalho maravilhoso, de muita luz onde eu definitivamente consegui romper com toda a egrégora da maconha, curei meu vicio como um verdadeiro milagre. Foi muito lindo. Então ele disse para levar minha filha até lá para fazer um trabalho com daime. E eu estava um pouco insegura porque fazia tempo que ela não tomava daime e tomava remédios controlados fiquei receosa do que poderia acontecer. Mas o Xamã insistiu para que eu tivesse fé e fez um trabalho na linha xamânica com santo daime. Foi a partir desse momento que minha filha deu um salto quântico na cura dela, parou de tomar remédios psiquiátricos, nunca mais surtou e os caminhos dela começaram a se abrir. Sou muito grata a todas essas pessoas, mas é claro que por trás de todos está o Criador. A vida da minha filha começou a andar, mesmo devagar, mas para isso precisei romper com todos os meus amigos antigos, que usavam ainda a “santa maria”. Precisei romper com toda aquela instituição profundamente. E lá no centro onde minha filha encontrou o primeiro passo para cura fui recebida com muito amor, compaixão e caridade, não cobraram de mim nenhum centavo. É o Céu N.S. da Conceição em Pariquera Açu – SP. O xamã líder de lá sempre diz: “O senhor dessa obra é o Mestre Jesus.. Eu sou apenas um servo dele. Estou contando tudo isso porque é uma causa séria, pelo mestre lrineu, por essa sagrada bebida, que é providência divina, mas se usada com drogas perdem-se vidas. Depois dessa melhora da minha filha, agradeço a Deus, ao meu amado Jesus Cristo, ao mestre lrineu, a esses irmãos de luz que me ajudaram com tanto amor e carinho. Deus é incrível, só fui perceber o engodo em que eu me encontrava quando o mal tocou minhas amadas filhas, senão talvez estaria na ilusão até hoje. Na minha concepção, minhas filhas foram geradas, nascidas e criadas para Deus e estava vendo com meus próprios olhos elas se perdendo de Deus. Imagine uma sensação dessa para qualquer mãe. Você que é mãe e pai pense nisso! Percebi que havia algo de muito errado. A mais velha em um surto psicótico e a mais nova em um mergulho na rebeldia unindo-se a uma pessoa dessa instituição, 20 anos mais velha, de caráter duvidoso. Reconheço que não sou uma mãe exemplar, cometi muitas faltas, porém não vou perder o bom senso ou minhas filhas para a ilusão, para as trevas. Depois de muito sofrimento, compreendi o preço de uma falta grave no mundo espiritual, compreendi a falta grave para com o mestre lrineu e sua santa doutrina. Compreendi, afinal, que o verdadeiro santo daime estava e está sendo maculado. Só hoje, graças a Deus, sou livre para conhecer o Mestre. Para conhecer o trabalho do Mestre, não é possível usar outras plantas que não são autorizadas pelo Mestre, ele mesmo fala no seu estatuto.

Hoje eu sei que a Santa maria é droga e nada tem de santificada.

 

Perdão

Eu peço perdão, sinceramente, a todas as pessoas que de alguma forma encaminhei para a direção equivocada. Paguei e estou pagando um preço alto por isso. Peço perdão à minha família, irmãs, sobrinhas e, principalmente, peço perdão às minhas amadas filhas. Que o Supremo Senhor Jesus Cristo, Virgem Soberana Mãe, junto com o mestre lrineu em sua infinita bondade e misericórdia, possam perdoar as minhas falta e me proteger das armadilhas, enganos e engodos desse mundo material. Eu peço perdão agora, sinceramente, a todos os seres de luz. E agradeço do fundo do meu coração a nova chance e oportunidade que estão me dando. Obrigada. Esse testemunho é para a honra e glória de tudo o que é sagrado, ao santo nome de Krishna, Jesus Cristo, Maria Santíssima, e ao querido e Raimundo Irineu Serra, que é guia e guarda desse sagrado sacramento para a cura, bênção e luz.”

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