Camomila

Os egípcios dedicavam a camomila ao sol e adoravam-na mais do que a qualquer outra erva, pelas suas propriedades curativas. Na Grécia, a camomila florescia abundantemente, distinguindo-se desde a antiguidade pelo seu aroma peculiar. O nome Matricária deriva do latim “mater” ou talvez “matrix” – útero, por ser utilizada em doenças femininas.

Matricaria chamomilla L./syn.: Chamomilla recutita RAUSCH.

Matricaria chamomilla

Nomes Populares: Camomila – comum, camomila vulgar, camomila legítima, camomila – dos – alemães, matricária, macela, camomila-da-alemanha.

Família: Asteraceae

Planta herbácea anual com caule ereto, ramificado, apresentando algumas folhas divididas. No cimo do caule aparecem capítulos isolados com receptáculo arqueado e oco, flores tubulosas amarelas e liguladas, brancas na periferia. O fruto é um aquênio. Espécie sobretudo européia, asiática e norte-americana, largamente cultivada e melhorada devido às suas enormes virtudes medicinais. Entre as variedades regionais tradicionais, entre as quais a camomila de origem tcheca tem um lugar de primeiro plano (Flores chamomillae bohemicae), desenvolvem-se cada vez mais cultivares tetraploides e outros que contêm elevadas percentagens de compostos ativos.

São colhidos os capítulos três a quatro vezes por ano, quando o tempo está bom. Os capítulos são secados em camadas finas, à sombra, num local bem arejado, ou num secador a uma temperatura máxima de 35°C. Contêm até 1% de óleo essencial, azul claro após destilação (azuleno, camazuleno), bisabolol, farneseno, flavonas (pigmentos amarelos), glicosídeos cumarínicos e um grande número de outras substâncias ativas. Os capítulos de camomila têm um efeito anti-inflamatório, desinfetante, diaforético e lenitivo. É uma das plantas medicinais mais freqüentemente usadas, sobretudo em medicina infantil. A infusão, na dose de uma colher de sopa de flores secas por litro de água, é usada em caso de gripe (sudorífero e calmante), de perturbações gastrintestinais ou de diarreias. A sua ação desinfetante é particularmente interessante nas inflamações das vias urinárias. Em aplicações externas, a camomila serve para preparar compressas e banhos para feridas de cura difícil.

Indicações e Usos:

Para fins medicinais, a única parte que se aproveita desta herbácea é a flor. Seu chá é utilizado para combater diversos problemas de saúde:tem ação anti-inflamatória, alivia as cólicas, é calmante, relaxante, combate a insônia e a acidez do estômago. Isto porquê ela protege as mucosas do sistema digestivo. Sob a forma de compressas sobre os olhos, o chá de camomila funciona como um calmante, ajudando a limpar, desinflamar e aliviar a irritação causada pela poluição. Na estética, ela também presta um importante papel: hidrata a pele e clareia o cabelo.

Costuma-se plantar a camomila ao redor da casa pois ela simboliza a prosperidade.

Aspectos Agronômicos:

Prefere o clima temperado (geralmente abaixo de 20º C). Uma planta extremamente sensível a períodos de seca.  Prefere solos argilo – arenosos, soltos, férteis e suficientemente permeáveis para evitar o excesso de umidade junto às raízes e com boa exposição ao sol.
A colheita, geralmente, pode ser efetuada 3 meses após a semeadura. Inicia-se apenas em dias bem secos, logo após a evaporação do orvalho nas flores.

Parte Utilizada: Capítulos florais.

Farmacologia:

A atividade terapêutica da camomila é determinada pelos princípios ativos lipofílicos e pólos hidrofílicos.
A atividade predominante do extrato aquoso é espasmolítica, enquanto o extrato alcoólico apresenta uma atividade antiflogística. O camazuleno possui reconhecida atividade anti-inflamatória, que é reforçada pela presença de matricina e bisabolol.
O alfa bisabolol possui propriedades antiflogísticas, antibacterianas, antimicóticas e protetora de mucosas agindo assim contra úlceras. Sua atividade espasmolítica é equivalente a da papaverina.
Outros princípios ativos também apresentam propriedades espasmolíticas como os flavonoides e as cumarinas, sendo que a estas últimas atribui-se o efeito inibitório do crescimento de certos micro-organismos.
A colina apresenta propriedades antiflogísticas. As mucilagens retêm água, levando a uma ação emoliente e protetora de peles secas e delicadas, pela formação de uma fina película sobre a pele.
O princípio responsável pela coloração é a apigenina, flavonoide que complexa-se com sais metálicos naturais (Ca, Al). Estes complexos, em condições ideais de pH e forças iônicas, fixam-se às fibras queratínicas, revestindo-as sem penetrar no núcleo destas.

Os flavonoides não são apenas absorvidos pela superfície da pele após aplicação cutânea, mas penetram nas camadas mais profundas da pele, o que é importante para seu uso como antiflogístico.
O bisabolol é um anti-inflamatório e o camoespiroéter é um princípio responsável por sua forte ação antiespasmódica.

Constituintes Químicos:

-óleo essencial (0,3 – 1,5%), composto de sesquiterpenos cíclicos como o -bisabolol (45%);
-pró – camazuleno;
-matricina;
-flavonóides (apigenina);
-colina;
-aminoácidos;
-ácidos graxos;
-substâncias amargas;
-substâncias resinosas e tônicas;
-fitosterina;
-taraxasterol;
-sitosterina;
-estigmasterina;
-heterosídeos flavônicos (antibióticos);
-camoespiroéter;
-camazuleno;
-inositol;
-vitamina C;
-dicloéter polilínico;
-apigenina;
-luteolina;
-sais minerais;
-terpenos;
-cumarinas como a herniarina e umbeliferona;
-mucilagens e ácidos orgânicos.

Origem: Sul da Europa e Ásia Ocidental.

Usos:

* Fitoterápico: No sistema digestivo- em casos de inflamações agudas e crônicas da mucosa gastrintestinal, podendo ser utilizada
em casos de colite, cólicas biliares e meteorismos e como auxiliar na
reconstituição da microbiota normal.

-Insônia, afecções nervosas, histeria;
-Afecções da pele em geral (feridas, úlceras, etc), inflamações dos olhos, cólicas abdominais com gases, hemorroidas;
-Estomatite, gengivite, aftas;
-Dores de ouvido, nevralgias (sobretudo facial);
-Menstruação dolorosa e excessiva;
-Reumatismo, dores musculares, dores na coluna, dores ciáticas;
-Eczemas, úlceras externas, dermatite;
– Nefrites, pielites, cistites;
-Cólicas abdominais, diarreias , náuseas;
-Gastrite, azia e má digestão;
-Febre intermitente, nevralgia.
-Óleo: É colhido das cabeças das flores da Matricaria reculita, pela extração de solvente ou destilação a vapor.

Aplicações externas e massagens:
-Calmante
-Redutor de estresse
-Dor-de-cabeça
-Enxaqueca
-Dores em qualquer parte do corpo
-Problemas do fígado

Inalações: Imunoestimulante, calmante e relaxante.

* Fitocosmético:
-Preventivo de rachaduras de peles sensíveis e secas;
-Adstringente, calmante, bom para feridas;
-Para clarear os cabelos;
-Males do couro cabeludo;
-Anti-inflamatório da pele, nos casos de acne e queimaduras do sol.
-Óleo: contra acne,alergias,calmante para inflamações da pele ( bom para hiperalergia e/ou hipersensibilidade).

Riscos:
-Deve ser usada com cautela por gestantes, pois há indicações de que possua ação emenagoga. Alguns autores citam que se deve ter muito cuidado ao usar o infuso evitando o contato com os olhos.
-Pode desenvolver dermatite de contato ou fotodermatite em pessoas alérgicas a outras plantas da família Compositae (Asteraceae).
-Deve ser evitada por mulheres grávidas ou em período de lactação.

Uso Interno:
-Pó: 2 a 8g, três vezes ao dia.
-Infusão a 5%: 2 a 3 xícaras ao dia, entre as refeições.

Uso Externo:
-Extrato fluido: 5mL em 250mL de água.
-Infuso: embebido em algodão ou gaze para compressas.
-Óleo: aplicações externas e massagens.

Fitocosmético:
-Extrato glicólico:
-Xampus, sabonetes e banhos de espuma: 2 – 5%.
-Cremes, loções e géis para peles delicadas, produtos infantis, solares, após sol e após barba, e produtos para clarear cabelos: 5 – 12%.
-Tônicos, e produtos para higiene bucal: 3 – 5%.

Bibliografia:
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-Martins,R.E.; Castro,D.M.; Castellani,D.C.; Dias,J.E. Plantas Medicinais. Viçosa: UFV, 2000.
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