Urtiga

A urtiga é uma planta comum, que no passado foi utilizada pela indústria têxtil. Usada também como planta medicinal e como alimento. O seu uso na indústria têxtil, foi abandonada no princípio do século XX. Hoje a urtiga é utilizada como planta medicinal, comestível e fonte industrial de clorofila.

Urtica dioica L.

Urtica dioica

Nome Popular: Urtiga

Família: Urticaceae

Aspectos Agronômicos:

Trata-se de erva perene, que se adapta a vários tipos de solo. O plantio é feito através de sementes em sementeiras (na primavera) ou por divisão de touceiras (em qualquer época do ano), neste caso é necessário que tenham parte da raiz. Deve-se respeitar o espaçamento de 0,4 X 0,5m. A colheita poderá ser feita em qualquer época do ano, menos no inverno pois a produção é escassa.

Planta herbácea perene, possuindo um rizoma ramificado que dá origem a caules eretos, quadrangulares, com folhas ovaladas opostas duas a duas. Na axila das folhas da parte superior do caule, surgem inflorescências em panículas. Os frutos são aquênios. Toda a planta está coberta de tricomas urticantes (pelos compostos) que se quebram, deixando o seu conteúdo nas feridas que provocam. Estes tricomas contêm uma substância proteica desconhecida, ácido fórmico, resina, aceticolina e histamina. São todas estas substâncias que estão na origem das vesículas urticantes que se formam sobre a pele. A urtiga cresce nos matagais e, nos jardins, é uma adventícia incômoda.

Para fins medicinais, são colhidas as cimeiras, ou simplesmente as folhas. A secagem efetua-se a uma temperatura máxima de 60°C. As partes recolhidas contêm taninos, ácidos orgânicos, clorofila, vitamina C, provitamina A e sais minerais. Têm numerosas aplicações, tanto medicinais como industriais. São usadas no tratamento das vias urinárias, do aparelho respiratório, dos catarros gastrintestinais, como adjuvante no tratamento da diabetes. Facilitam as trocas metabólicas, estimulam a atividade das glândulas endócrinas e a produção de glóbulos vermelhos. São usadas em infusão na dose de uma colher de café por chávena de água, a tomar três vezes por dia.

As cimeiras são também submetidas a tratamento industrial, com a finalidade de produzir clorofila pura, que serve de aditivo para produtos cosméticos e sabões. A urtiga-menor é também colhida e tem os mesmos efeitos.

Parte Utilizada: Folhas frescas ou secas e raiz.

Constituintes Químicos:

– substâncias histamínicas;
– ácido fórmico;
– taninos;
– mucilagens;
– vitaminas: A, C, B2, B5;
– sais minerais: S, Si, K, Fe, Ca, Na;
– clorofila;
– ácidos graxos;
– fitosterol;
– beta – sitosterol;
– carotenoides;
– flavonoides (glicosídeos da quercetina);
– secretina.

Origem: Europa

Uso:

* Fitoterápico:

Tem ação: tônico, adstringente, vasoconstritora, hemostática, revulsiva, anti – seborreica, depurativa, anti – radicais livres, revitalizante, tonificante capilar e hipoglicemiante.

É indicada:

– hemorragias;
– anemias;
– reumatismo gotoso;
– diarreias;
– complemento alimentar;
– coadjuvante no tratamento de distúrbios urinários;
– infecções buco – faríngeas;
– feridas;
– úlceras.

* Fitocosmética:

– acne;
– problemas do couro cabeludo;
– géis anti – radicais livres;
– produtos pós sol;
– cremes regeneradores e para envelhecimento precoce.

* Farmacologia:

A sua ação fundamental no organismo é a depuração do sangue, por melhorar a circulação, acelerar o intercâmbio e aumentar a
excreção renal do ácido úrico.
Em aplicações externas a loção é utilizada para favorecer o crescimento dos cabelos, bem como para tratar feridas e úlceras. A tintura atua como revulsivo em certas preparações tópicas.
Pela sua composição em tanino, também é utilizada como antidiarreico.
Em estudo recente demonstrou-se uma substância ativa da folha: a secretina, que facilita a digestão (Teske; Trenttini; 1997).

Riscos:

– Pode causar irritação ocular e dérmica, quando utilizado externamente.
– Podem ocorrer reações alérgicas.
– Deve-se cuidar na hora de colher a erva, pois pode provocar irritações na pele durante o contato.

Uso Interno:

Erva seca: 2 a 4g, três vezes ao dia ou por infusão.
Infusão de raízes ou folhas: 5%.
Suco fresco: 100 a 125g por dia.
Extrato fluído em álcool 25%: 3 a 4mL, três vezes ao dia.
Tintura 1: 5 em álcool 45%: 2 a 6mL três vezes ao dia.

Uso Externo: Decocção: 5%.

Fitocosmético: Extrato glicólico: 2 a 10 – cremes, loções, géis e xampus.

Bibliografia:

-Bremness, L. Plantas Aromáticas. São Paulo: Civilização, 1993, p. 214.
-Corrêa, A.D.; Batista, R.S.; Quintas, L.E.M. Do Cultivo à Terapêutica. Plantas Medicinais. Petrópolis: Vozes, 1998, p. 196.
-Teske, M.; Trenttini, A.M.M. Compêndio de Fitoterapia. Paraná: Herbarium, 3ª edição, 1997, p. 279.

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