Valeriana

Há muito tempo que esta antiga erva medicinal, cujo nome deriva do Latim valere (“estar de saúde”), é apreciada. Os herbanários nórdicos, persas e chineses usavam a sua raiz, enquanto a afim V. sylvatica foi encontrada no saco – medicina dos guerreiros índios canadianos para ser usada como anti – séptica nas feridas. A raiz fresca cheira a couro velho, mas, quando seca, assemelha-se mais a suor bafiento. O seu nome antigo V. phu, está, talvez, na origem da expressão que usamos perante algum cheiro indesejável. Durante as duas guerras mundiais, a valeriana foi usada no tratamento do choque provocado pelas granadas e da tensão nervosa.

Valeriana officinalis L.

Valeriana officinalis

Nome Popular: Erva – dos – gatos, valeriana.

Família: Valerianaceae.

Aspectos Agronômicos: Adapta-se em qualquer tipo de solo. O plantio
pode ser feito através da divisão de raízes ou de sementes, que germinam pouco ou lentamente, somente 50% delas germinam. As raízes e o rizoma poderão ser recolhidos somente a partir do outono do segundo ano após o plantio.

Planta herbácea vivaz, possuindo uma enorme raiz e um curto rizoma, que dá origem a um caule anguloso com folhas opostas e penatissectas. O caule termina num corimbo de pequenas flores brancas ou avermelhadas. O fruto é um aquênio com coroa. A espécie está difundida na Europa, Ásia e América. É uma planta medicinal muito antiga, como é recordado pelo seu nome científico, derivado do latim valere, ter saúde.

A valeriana é cultivada nos campos. No segundo ano, são arrancadas as raízes, que são limpas, lavadas rapidamente (sem pelar nem raspar), cortadas, se necessário, e postas a secar brevemente, a 35°C no máximo. É somente ao secar que a raiz adquire o seu odor penetrante, que perturba os gatos mesmo à distância. A raiz seca contém 0,5 % a 1 % de óleo essencial rico em pineno e canfeno, alcaloides, ésteres de ácidos orgânicos, ácido valérico e isovalérico, taninos e sucos amargos. Os remédios à base de valeriana atenuam a irritabilidade nervosa, as perturbações cardíacas de origem nervosa e as cãibras. São usados em caso de depressão nervosa, fadiga, esgotamento intelectual e insônia crônica. Prepara-se uma infusão ou uma maceração a frio de 0,5 a 5g de raiz de valeriana, para tomar durante o dia. A raiz é também eficaz contra vômitos, gases e parasitas intestinais. Emprega-se freqüentemente o extrato alcoólico que é um sedativo do sistema nervoso.

Parte Utilizada: Raiz e Rizoma.

Constituintes Químicos:

-óleo essencial (0,5 a 1,5%);
-hidrocarbonetos monoterpênicos e sesquirterpênicos (pineno, fencheno, bisabolol);
-ácidos valeriânicos, propiônico, málico, tânico, acético, fórmico;
-ésteres terpênicos: isovalerianato de borneol;
-cetonas terpênicas: valeranona;
-alcalóides (0,1%): valerina;
-valepotriatos (0,5 a 2%);
-taninos e matérias resinosas;
-álcoois terpênicos.

Origem: Europa e Ásia Temperada.

Uso:

* Fitoterápico:
Tem ação: antiespasmódica, anticonvulsiva, sedativa,
levemente vermífuga, vulnerária, relaxante, espasmolítica e hipotensiva.

Indicação:
-para curar ou aliviar nervosismo; angústia, depressão, insônia;
-asma, debilidade cardíaca;
-palpitações do coração;
-falta de apetite;
-cólicas abdominais;
-distúrbios da menopausa;
-obesidade e celulite;
-contusões, dermatoses, eczemas, estresse;
-hiperexcitabilidade.

* Fitocosmético: Tratamento da acne.

* Farmacologia:
Os monoterpenos se decompõem na presença de enzima oxidase em ácido valeriânico e metilcetona; o primeiro tem ação antiespasmódica, e o segundo é ligeiramente anestésico.
A atividade sedativa da valeriana é devida ao valeropotriato do óleo essencial. Atua como depressora do sistema nervoso, atenua a irritabilidade nervosa, melhora a coordenação e reduz a ansiedade.
A essência elimina-se pelos rins, de modo que a urina pode adquirir o cheiro característico da valeriana.
Contribui para a cicatrização das feridas, bem como para o tratamento das contusões, quando empregada externamente.
Os valepotriatos, ao contrário dos (benzodiazepínicos), restauram o equilíbrio autonômico – fisiológico sem exercer efeito direto sobre o córtex cerebral e o sistema límbico.

Riscos: É contra indicado para gestantes e seu uso prolongado pode causar cefaleia e agitação, dispepsias, reações alérgicas cutâneas.

Fitoterápico:
-Dose média diária (pó): 0,3 a 1,0g, três vezes ao dia.
-Infuso ou decocto das raízes: 5% tomar 50 a 200mL por dia.
-Alcoolatura: 2 a 10g por dia.
-Extrato fluido em álcool 60%: 4 a 8mL, três vezes ao dia.
-Crianças: 0,20 a 0,40g por ano de idade ao dia.

Fitocosmético: Decocto da raiz.

Bibliografia:
-Bremness,L. Plantas Aromáticas. São Paulo: Civilização, 1993, p. 96.
-Corrêa,A.D.; Batista,R.S.; Quintas,L.E.M. Do Cultivo à Terapêutica. Plantas Medicinais. Petrópolis: Vozes, 1998, p. 200-201.
-Panizza,S. Cheiro de Mato. Plantas Que Curam. São Paulo: Ibrasa, 1998, p. 201-202.
-Sanguinetti,E.E. Plantas Que Curam. Porto Alegre: Rígel, 2ªedição, 1989, p. 192.
-Teske,M.; Trenttini,A.M.M. Compêndio de Fitoterapia. Paraná: Herbarium, 3ªedição, 1997, p.287-288.

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