Céu Nossa Senhora da Conceição, "Xamã Gideon dos Lakotas", Erva-de-santa-luzia

Erva-de-santa-luzia

Euphorbia hirta L./Syn: Chamaesyce hirta Millsp.

Euphorbia hirta Entre as dicotiledôneas, a família Euphorbiaceae é uma das maiores, contando com cerca de 5.000 espécies distribuídas por uns 300 gêneros; só o gênero Euphorbia apresenta mais de 700 espécies, muitas das quais são suculentas. Entre as euforbiáceas encontram-se árvores, arbustos, sub-arbustos e ervas. Um grande número de espécies é latescente e algumas espécies contêm substâncias tóxicas. Considerando-se a grandeza da família, é surpreendente que apenas poucas espécies são exploradas pelo homem, como exemplo a seringueira, a mandioca, a mamona e algumas plantas ornamentais. Também poucas espécies são importantes como invasoras, mas algumas, como Euphorbia heterophylla, são extremamente agressivas. As euforbiáceas apresentam sistemas de inflorescências muito variáveis, geralmente bastante complexos. As flores são sempre unisexuais, mas as plantas podem ser monóicas ou dióicas. A origem do nome Euphorbia, segundo Plínio, é a seguinte: o Rei Juba II, da região que hoje é a Mauritânia, no ano 30 AC., designou uma planta com o nome de Euphorbia, em homenagem a seu médico Euphorbus, que lhe havia apontado propriedades medicinais. Essa planta é hoje designada Euphorbia resinifera Berg. e ainda ocorre no norte da África. Linnaeus usou o nome Euphorbia para designar todo um gênero.

Euphorbia hirta Euphorbia hirta, Erva-de-santa-luzia ou Erva-andorinha, é uma planta nativa em regiões tropicais e sub-tropicais, ocorrendo desde o sul dos estados Unidos até o norte da Argentina e também amplamente disseminada por outras regiões tropicais do mundo. No Brasil ocorre em quase todo o território, com possível exceção da Bacia Amazônica. É uma erva daninha anual, com talos pilosos e folhas ovais de até 4cm de tamanho ocorrendo sempre aos pares. Densos glomérulos com 1 – 1,5 cm de diâmetro ocorrem alternadamente à direita e à esquerda das axilas foliares. Os frutos são cápsulas vermelho-esverdeadas.

A maioria das euforbiáceas são altamente irritantes, contêm carcinogênicos, ésteres diterpênicos e são fortes purgativos. A espécie chinesa Euphorbia kansui é naturalmente usada para este fim. Euphorbia pekinensis também tem efeitos diurético e anti-bacteriano. A norte-africana Euphorbia resinifera (euphorbium) é outro purgativo drástico, atualmente considerado muito perigoso para uso medicinal. Euphorbia lathyrus é muito tóxica para ser usada medicinalmente, contendo um violento óleo purgativo semelhante a óleo de croton (extraído de Croton tiglium). Euphorbia hirta é isenta de ésteres e é considerada mundialmente como sendo uma erva segura e efetiva.

As partes usadas são a planta inteira e o suco. As plantas são cortadas quando florescendo e usadas frescas para suco, ou secas para uso em infusões, extratos líquidos e tinturas. É uma erva picante, amarga, anti-séptica que expele flegma e alivia espasmos. É usada medicinalmente, interiormente para asma, bronquite, enfisema, tosse nervosa, catarro, febre do feno e disenteria amébica. Externamente para queimaduras e verrugas (suco). Combinado com Grindelia camporum para bronquite e asma.

Advertência: A maioria das eufórbiáceas são tóxicas se ingeridas, inclusive a mandioca (Manihot esculenta) que não deve ser ingerida crua pois apenas perde sua toxicidade pelo calor do cozimento ou da secagem para produção de farinha. A seiva (látex) é um sério irritante para a pele e para o olho.